
Por Regina Lima/ Imagem Nino Andres Biasizzo
A cantora e compositora Tulipa Ruiz está de volta a Belém — e em grande estilo. Vencedora do Grammy Latino, a artista se apresenta nos dias 26 e 27 de março no Festival dos Povos da Floresta, em uma programação totalmente gratuita que reúne nomes da Amazônia e de todo o Brasil, no Teatro Gasômetro.
Celebrada como uma das vozes mais marcantes da música brasileira contemporânea, Tulipa retorna à capital paraense com um formato menos convencional de show, marcado pela liberdade de improvisação e pela proximidade com o público.
“Esse show não acontece sempre porque na maior parte do tempo estou em turnê com a banda no show do meu último disco. O Noire é um show para ocasiões e lugares especiais”, afirma.
A relação da artista com o Pará atravessa sua trajetória pessoal e musical. Foi em Belém que ela viveu experiências que ajudaram a moldar seu repertório e suas parcerias. “A primeira vez que toquei em Belém, Gaby Amarantos participou do meu show e depois levou eu e minha banda para jantar em sua casa no Jurunas. Foi o meu primeiro mergulho no Pará”, relembra. Desde então, a conexão se aprofundou em colaborações e influências diretas na sua obra.
“Quando gravei o ‘Dancê’, quis muito unir os riffs paulistanos com a guitarrada paraense. Chamei meus guitarristas prediletos: meu pai Luiz Chagas, meu irmão Gustavo Ruiz, Manoel e Felipe Cordeiro. Juntos, criamos ‘Virou’”, conta.
Para Tulipa, o Pará ocupa um lugar singular na música brasileira, tanto pela diversidade sonora quanto pela força de sua cena.
“O Pará, além de ser uma referência em sons e sabores, também é uma referência como uma indústria cultural maior que o mercado”, diz.
Essa potência aparece nas misturas que marcam a produção musical da região.
“O Pará é reconhecido por suas fusões, o brega, o eletrônico, a música caribenha. Todas essas pororocas me inspiram”, afirma.
No retorno à cidade, a artista aposta em um show aberto a experimentações.
“Gosto de dizer que essa é a nossa formação mais radical, é como se fosse um parkour. Podemos ir para qualquer lado que a música quiser, não existe a convenção dos mapas, dos arranjos fechados. Faremos esse show com muita presença e amor.”
Programação
A apresentação integra a programação musical do Festival dos Povos da Floresta, que reúne artistas da cena local e nacional em dois dias de shows gratuitos. No dia 26 de março, sobem ao palco nomes como Nat Esquenta, DDD 91, Djuena Tikuna, que convida Joelma Klaudia, Tambores do Pacoval, Naieme com participação de Izabela Lima (RO), além do “Baile do Mestre Cupijó”, comandado por Felipe Cordeiro.
Já no dia 27, além de Tulipa Ruiz, a programação conta com DJ KaboCLA, Julia Passos, que convida João Amorim (Macapá), Jeff Moraes com Raidol e Ian Wapichana, Suraras do Tapajós e Felix Robatto, com participação de Sandrinha.
A programação do festival segue até o dia 29 de março, com uma exposição que marca o encerramento das atividades.
Idealizado pela Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia, apresentado pela Petrobras e realizado pelo Ministério da Cultura e Governo Federal, o Festival dos Povos da Floresta é um projeto multilinguagens itinerante que celebra a arte como instrumento de resistência, sustentabilidade e valorização dos saberes tradicionais. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis e abertas ao público, voltadas a comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas, estudantes, educadores, pesquisadores e à sociedade em geral.
Serviço
Festival dos Povos da Floresta
Local: Teatro Gasômetro
Shows: 26 e 27/03
Show de Tulipa Ruiz: 27/03
Entrada gratuita
