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Por Regina Lima/Imagem:Divulgação

Com entrada gratuita, lançamento será realizado em 13 de novembro, no Espaço Cultural Apoena; livro reúne ensaios críticos, poemas, manifestos e cartas políticas

O escritor, roteirista, pesquisador e artivista Porakê Munduruku lança TAYBIT: Poética Selvagem & Retomada Lírica na sexta-feira, 13 de novembro de 2026, a partir das 17h, no Espaço Cultural Apoena, no bairro do Marco, em Belém. Com entrada gratuita, a programação reunirá literatura, debate anticolonial e intervenções culturais. Publicado pela Editora Boiúna, o livro tem 106 páginas.

Na língua Munduruku, taybit designa a raiz semântica dos verbos saber, conhecer ou compreender. Na perspectiva originária apresentada pelo autor, o conhecimento é indissociável da prática: conhece-se fazendo e sentindo no corpo. O trabalho amplia as reflexões desenvolvidas em Imuê’en: Por um estar no mundo originário (2024), no qual o escritor estabeleceu as bases conceituais de sua discussão sobre a resistência ao apagamento histórico das populações originárias. Em TAYBIT, ele propõe lançar uma “flecha no centro do debate anticolonial”.

Estruturada em três frentes integradas, a publicação reúne ensaios críticos, produção poética e manifestos e cartas políticas para discutir estética, semiótica e representatividade indígena na mídia global e na cultura pop. Um dos conceitos abordados é o “cativeiro estético”, entendido como a tentativa colonial de restringir os corpos e os discursos de autores indígenas ao exotismo, ao passado folclórico ou mítico e à autobiografia exótica.

Em contraposição a esse enquadramento, Porakê reivindica o direito originário à universalidade e examina gêneros consolidados da indústria do entretenimento. No campo do terror e da ficção científica, apresenta uma leitura semiótica originária de franquias como Alien e O Predador, interpretadas como espelhos da paranoia colonial e do “medo do revide”.

O escritor também sustenta que o mito moderno do vampiro incorporou, sem o devido reconhecimento, elementos da fauna, dos relatos coloniais e do imaginário nativo das Américas. Entre as referências discutidas estão os Camazotz, dos maias, e os Cupendiepes, dos Apinajés.

Os jogos narrativos integram essa reflexão. O livro aborda o potencial dos RPGs de mesa como espaços de reencontro com a ancestralidade e de desconstrução das estruturas eurocêntricas que orientam a criação de novos mundos.

Na música e no teatro popular, a análise estabelece conexões entre a resistência indígena, os Pássaros Juninos e expressões como o rock e o hip-hop. O percurso passa por Link Wray, Jimi Hendrix e pelo movimento Rez Punk, apresentando essas linguagens artísticas como tecnologias ancestrais de resistência.

“A Poética Selvagem é a nossa forma, o arco que tensionamos contra o colonizador; a Retomada Lírica é o conteúdo e a nossa disposição inabalável de lutar”, afirma Porakê. Com essa formulação, TAYBIT propõe um confronto com a passividade e reafirma a perspectiva de um futuro ancestral, indômito e irredutível.

Nascido em Belém e criado na periferia de Ananindeua, Porakê Munduruku é o nome de pertencimento étnico de Glailson Augusto Rocha dos Santos. Engenheiro agrônomo e analista ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (SEMAS-PA), ele também é roteirista premiado de jogos e produções audiovisuais.

O autor integra a coordenação do Tekó, Coletivo de Artivismo Indígena da Região Metropolitana de Belém, e da Kabiadip, Articulação Munduruku no Contexto Urbano. Sua trajetória é marcada por ações de letramento étnico-racial, pela retomada das identidades originárias fora dos territórios demarcados e pelo enfrentamento ao etnocídio e ao racismo estrutural.

Publicado em acesso aberto, sob a licença CC BY-NC-ND 4.0, o livro pode ser baixado gratuitamente e está disponível em plataformas como Google Play Books e Amazon. Há também um número limitado de exemplares físicos à venda pelo perfil @teko.artivismo, no Instagram, como parte de uma campanha para cobrir os custos do projeto.

Serviço

Evento: Lançamento de TAYBIT: Poética Selvagem & Retomada Lírica, de Porakê Munduruku.

Data: Sexta-feira, 13 de novembro de 2026.

Horário: A partir das 17h.

Local: Espaço Cultural Apoena.

Endereço: Avenida Duque de Caxias, nº 518, Marco, Belém (PA).

Entrada: Gratuita.

Publicação: Editora Boiúna, 2026, 106 páginas.

Acesso e licença: Acesso aberto, com download gratuito, sob a licença CC BY-NC-ND 4.0.

Disponibilidade digital: Google Play Books e Amazon.

Exemplares físicos: Venda em quantidade limitada pelo Instagram @teko.artivismo, em campanha para custear o projeto.

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