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Por João Polaro/Imagem: acervo do autor

O partido União Brasil enfrenta um impasse interno em Belém, especialmente em torno do controle da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SEMCULT) , pasta estratégica que reúne dimensões de permanência simbólica, governança e influência familiar.

O ministro do Turismo do governo Lula, Celso Sabino, encontra-se em conflito aberto com seu partido, que recentemente rompeu com a base governista federal e iniciou um processo de expulsão contra ele por alegada indisciplina. O embate expõe o choque entre os interesses nacionais da legenda, que busca se reposicionar à direita para 2026, e os interesses locais e familiares do ministro paraense, cuja irmã ocupa o comando da SEMCULT.

A secretaria foi criada a partir da reforma administrativa promovida pela gestão atual da Prefeitura, que fundiu a antiga Fundação Cultural de Belém (FUMBEL) com a Belémtur. Desde então, a gestão da nova pasta, entregue à irmã de Sabino, tem apresentado resultados tímidos, especialmente no campo da cultura, e enfrentado críticas pela condução de políticas e pela fragilidade técnica da equipe.

Entre os problemas apontados estão o esvaziamento dos quadros profissionais dos museus municipais, a desorganização de eventos culturais, como a própria Festa Junina da capital, e o baixo desempenho na implementação de políticas de patrimônio cultural. Soma-se a isso a falta de transparência e atrasos em editais relacionados à Política Nacional Aldir Blanc, o que reforça a percepção de uma gestão pouco propositiva.

A apatia da secretaria torna-se evidente quando outros órgãos municipais assumem o protagonismo de eventos culturais, como ocorre no projeto Domingueira, evidenciando a perda de centralidade da SEMCULT dentro da estrutura administrativa da Prefeitura de Belém. No Legislativo municipal, o União Brasil conta com apenas três dos 35 vereadores da atual legislatura, e somente um deles integra a Comissão de Cultura da Câmara.

A presença reduzida e a pouca expressão política do partido na área reforçam a percepção de que a manutenção da SEMCULT sob seu comando se sustenta mais pela ligação familiar entre os irmãos Sabino do que por mérito político ou técnico. No fim, o impasse entre o União Brasil e Celso Sabino revela mais do que um conflito interno de partido: expõe como a cultura é usada como extensão de estratégias
familiares e eleitorais.

A pasta da Cultura e Turismo, que deveria ser espaço de articulação simbólica da cidade, acaba reduzida a moeda política e instrumento de visibilidade. A lição que fica é silenciosa, mas contundente: quando o poder substitui o projeto cultural por arranjos de conveniência, o que se compromete não é apenas a
política pública, é a legitimidade simbólica de Belém diante de si mesma.

Pesquisador em políticas para o patrimônio cultural e museus. Mestre em Ciência Política pela UFPA, bacharel em Museologia e Relações Internacionais, dedica-se a investigar a relação entre Estado, sociedade e patrimônio cultural no Brasil.

Uma resposta

  1. Opa! Até que enfim, alguem expoe um pouco do atual quadro que se apresenta hoje a política cultural no município de Belém. E esse é apenas uma parte do problema cuja origem não está no Palacete Bolonha, sede do comando da secretaria de Cultura e Turismo, mas no proprio Antonio Lemos, sede da nova gestão municipal. Politica cultural até existe e é Lei atualizada desde 2023, a Lei Valmir Bispo, que é o Sistema Municipal de Cultura de Belém, que se fosse posto em funcionamento não estariamos presenciando o marasmo identificado nesse texto.

    Falta vontade política prá fazer acontecer a politica cultural e turistica de Belém, que não pode ser tratada apenas como realização da Agenda Cultural anual da cidade.

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