
Por Regina Lima/ Imagem: João Pedtro Oliveira
Cantor Caio Nunez lançou “Nada Fica Fora do Lugar”, seu álbum de estreia, no dia 21 de maio, nas plataformas digitais, pela Dutra Records em parceria com a Sony Music Brasil. Construído ao longo de quase cinco anos, o projeto percorre uma sonoridade brasileira popular e contemporânea, reunindo participações de Rashid, Luellem de Castro e Luana Karoo. O disco também marca um novo momento na trajetória de Caio, renomado compositor que escreveu para artistas como Liniker, Rashid, GABZ e Tassia Reis.
O disco amadurece junto das experiências e referências que moldam sua identidade, transitando por uma sonoridade brasileira popular e contemporânea. Com direção musical de Gabo Marinho e capa assinada por Nomoa, o álbum percorre espiritualidade, memória e afeto, transformando essas dimensões em linguagem musical própria. As faixas se encadeiam com naturalidade, criando um fluxo contínuo. Há um cuidado evidente na forma como os instrumentos aparecem:
violões e guitarras bem colocados, baixos firmes e uma percussão que colore sem pesar. “Dia de Oxalá”, com participação de Luellem de Castro, é a primeira música do disco e funciona como uma abertura de portal. A faixa conduz o início do álbum com calma e intenção, guiada pelo violão de Caio e por uma base que se constrói com discrição na produção de Léo Israel. Em seguida, “Ginga” traz o movimento e muda a pulsação sem romper o clima estabelecido. Já “Lótus”, construída com base em influências latinas, aprofunda o lado mais contemplativo do álbum, com interpretações
precisas e pausas que dizem tanto quanto as notas.
No centro do disco, “Reticências”, com participação de Rashid, soa como uma conversa íntima. A flauta, somada ao violão e às linhas de guitarra e baixo, amplia essa sensação de troca e suspensão. Tanto “Reticências” quanto “Moçambique” já haviam sido apresentadas como singles que antecederam o álbum, e agora ganham novo sentido dentro do conjunto, somando-se às demais faixas e ganhando peso dentro do projeto.
“Cavalo de Aço” traz uma das construções mais ricas do álbum, articulando percussões de matriz afro-brasileira com uma mistura de elementos eletrônicos e
a base da canção como movimento contínuo. “Estrela Cadente” abre o campo melódico com a leveza característica da bossa nova, em uma composição romântica
que se sustenta no detalhe. Em “Moçambique”, o saxofone conduz a faixa com naturalidade, enquanto “Valongo”, ao lado de Luana Karoo, encerra o álbum com
um encontro de vozes e uma percussão que sustenta a trilha até o fim.
A progressão das faixas também apresenta momentos de respiro, como em “Mil Motivos” que revela um dos traços mais fortes do trabalho: a capacidade de sugerir sentimentos sem precisar explicá-los. É também dessa ideia que nasce o título do trabalho: “Nada fica fora do Lugar” é um trecho da letra de uma das músicas, ‘Valongo’, e me veio como título porque nesse disco a minha ideia foi revisitar minhas referências do passado e todos os símbolos que elas evocam, como ‘bate bola’ e ‘jongo’, ambos elementos da cultura afrobrasileira” — Comenta Caio.
O disco também carrega atravessamentos familiares de forma orgânica, como em “Cavalo de Aço” que Rui Nunes, pai do artista, assina a composição ao lado do filho. Antes mesmo do primeiro álbum, Caio já vinha construindo caminho como compositor, com trabalhos ao lado de nomes como Rashid e Liniker. Também
colaborou com GABZ, sua irmã, em “Noites de Verão”, e lançou um feat com Tassia Reis que ampliou a sua presença na cena.
O álbum apresenta uma visão musical clara. Caio não parece interessado em ocupar espaço rapidamente, o disco revela um artista maduro, com potência e um lugar muito próprio dentro da nova geração da música brasileira, que sobretudo olha para si antes de externalizar a obra, como ele mesmo comenta: É uma forma de encontrar o equilíbrio de quem eu fui e quem eu me tornei, como visitar o passado para deixar o presente em ordem e como se nada da minha trajetória tenha sido em vão. Como se eu montasse um quebra cabeça onde nenhuma peça tenha ficado fora do lugar”.
