
Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação
A III Mostra Tekó de Artivismo Indígena acontece nos dias 29 e 30 maio, no Sesc Ver-o-Peso. O evento traz como um de seus destaques a 1ª Mostra Audiovisual Esaetá — termo que, em Tupi, significa “muitos olhares”, que, além de oferecer ao público geral um panorama da produção audiovisual indígena no Brasil e em Belém, vai celebrar o sucesso de duas produções dirigidas por mulheres indígenas, recentemente consagradas na 11ª edição do Amazônia FiDoc (Festival Pan-Amazônico de Cinema).
As obras foram vencedoras da Mostra As Amazonas do Cinema, dedicada ao protagonismo feminino. O filme “Rami Rami Kirani”, dirigido por Lira e Luciana Tira Hunikuin, conquistou o prêmio de Melhor Curta-metragem pelo Júri Oficial. A obra acompanha as mulheres da Aldeia Mibãya em sua jornada de empoderamento espiritual ao questionarem o monopólio masculino no preparo da medicina tradicional.
Já o filme-manifesto “Quem Quer?”, da cineasta e diretora teatral Célia Maracajá, reafirmou sua conexão com o público ao vencer o prêmio de Melhor Curta-metragem pelo Júri Popular. O docudrama experimental aborda o dilema de uma jovem indígena desaldeada da periferia de Belém entre a afirmação de sua identidade e o acesso às políticas de cotas nas universidades.
Cinema como Retomada
Para o coletivo Tekó, a inclusão desses filmes na Mostra Esaetá reforça o cinema como uma ferramenta de “retomada” e combate ao apagamento histórico.
“A presença de obras tão poderosas e diversas, que representam o melhor do cinema indígena realizado tanto nos territórios quanto nas cidades, demonstra que olhares indígenas não se limitam a um paradigma estético, mas representam uma postura política e epistemológica diante de uma realidade que ameaça nossa autodeterminação e existências”, afirma Porakê Munduruku, roteirista de “Quem Quer?” e integrante da coordenação do evento.
Além da exibição de obras já aclamadas pelo público e pela crítica, o evento contará, ainda, com a sessão de estreia do curta Álibi, da cineasta marajoara, Jaci Garcia.
A 1 ª Mostra Audiovisual Esaetá ocorrerá no dia 30 de maio, dividida em três sessões:
Sessão Pindoretama (9h às 12h): Com foco na produção de mulheres indígenas em todo o território nacional, incluindo o premiado Rami Rami Kirani.
Sessão Maenry (14h às 16h): Dedicada a produção de realizadores indígenas da Região Metropolitana de Belém, onde será exibido Quem Quer?.
Sessão Marajó (17h às 18h): Com a premiére do curta Álibi, de Jaci Garcia.
A III Mostra Tekó é gratuita, aberta ao público e conta com o apoio da Lei Aldir Blanc. Além do cinema, a programação inclui música, dança, oficinas e feira de artesanato.
SERVIÇO
III Mostra Tekó de Artivismo Indígena / I Mostra Audiovisual Esaetá
Data: 29 e 30 de maio de 2026
Local: Sesc Ver-o-Peso (Boulevard Castilhos França, 522/523 – Campina, Belém)
Entrada: Gratuita
Para mais informações: Priscila Cobra – (91) 98357-1216 / Assessoria de Imprensa
