
Por Regina Lima/ Imagem:Divulgação
Terceiro trabalho da artista reúne sete faixas e chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, 18 de setembro, com reflexões sobre espiritualidade, identidade e existência negra, amazônica e periférica
A rapper MC Íra lança nesta sexta-feira, 18 de setembro, o EP “Tukula”, terceiro trabalho de sua carreira. Sucessor de “Opala” e do álbum de estreia “Joia”, o novo projeto reúne sete faixas e marca uma fase de amadurecimento pessoal e artístico. O repertório transita pelo rap, house, boom bap, jazz e funk, sem perder de vista as referências musicais que atravessam a formação da artista entre Belém e Macapá.
O título do EP tem origem no cosmograma Bakongo, uma cosmovisão dos povos bantos sobre os ciclos da existência. Derivada de kula, palavra que significa “crescer” ou “amadurecer” no kikongo antigo, Tukula representa o período de crescimento, maturidade e realização da vida. O conceito também remete à ligação entre os mundos físico e espiritual, envolvendo questões como nascimento, morte, ancestralidade, tempo e transformação.
“Esse EP nasce de uma maturidade, não só pessoal, como artística. É uma evolução que não veio apenas com o tempo, mas também dos estudos, das aulas de canto e do cuidado maior com as minhas letras”, explica MC Íra. A artista conta que começou a produzir música aos 20 anos e que, desde então, passou por mudanças profundas na vida pessoal e na maneira de conduzir a própria carreira.
Novas experiências sonoras
Em “Tukula”, MC Íra amplia suas possibilidades musicais e experimenta sonoridades que ainda não haviam aparecido com tanta força nos trabalhos anteriores. O EP apresenta uma nova abordagem do house, um boom bap construído com samples de jazz e um funk mais ritmado, com a participação de Bruminoso.
Entre as sete faixas está “Trama”, lançada em fevereiro deste ano. A música alcançou repercussão nacional e antecipou parte das questões e da sonoridade presentes no novo projeto. O repertório acompanha a passagem simbólica da juventude para a vida adulta, associada pela artista à construção de autonomia e ao domínio da própria trajetória.
“Quando comecei a fazer música, ainda estava construindo a minha vida. Hoje tenho minha casa, cuido da minha carreira e da minha vida como um todo. Acho que esse domínio me amadureceu muito”, afirma.
A cantora também relaciona o conceito do EP à carta “A Mulher”, do baralho cigano. Para ela, o trabalho representa a transição de menina para mulher e dialoga com a presença espiritual de uma entidade que a orienta nesse processo de transformação.
Espiritualidade e identidade
A espiritualidade ocupa uma posição central em “Tukula”. MC Íra destaca que essa dimensão não está separada da vida cotidiana, mas constitui uma forma de orientação, resistência e sobrevivência para pessoas negras e povos tradicionais.
“Ela é uma estratégia do nosso povo para viver. Orienta a gente no dia a dia, não apenas quando estamos na gira ou no candomblé. Até as músicas que parecem não falar de espiritualidade carregam essa presença, porque tratam da minha formação, dos meus fundamentos e da maneira como me relaciono com o mundo”, explica.
O novo trabalho é dedicado especialmente a pessoas negras, mulheres, pessoas LGBTQIA+ e integrantes de religiões de matriz africana. A artista espera que o público encontre identificação em sua trajetória, marcada tanto pelos desafios enfrentados por mulheres negras quanto pela força da comunidade, da espiritualidade e das amizades.
Uma voz amazônica e periférica
A vivência no hip-hop entre Belém e Macapá também orienta a construção musical de MC Íra. A artista reconhece as dificuldades de desenvolver uma carreira longe do eixo Rio-São Paulo, onde se concentram oportunidades de formação, divulgação, apresentações e investimentos no mercado musical. Ao mesmo tempo, observa uma presença cada vez maior de artistas nortistas no cenário nacional.
Para MC Íra, a diversidade sonora da Amazônia é um diferencial. Referências como technomelody, cumbia, midback e house acompanham sua formação desde a infância e ajudam a construir uma perspectiva artística profundamente ligada ao território.
Com “Tukula”, MC Íra transforma o amadurecimento em travessia. Entre memória, espiritualidade e experimentação sonora, a artista reafirma uma trajetória construída a partir da experiência negra, amazônica e periférica, olhando para o caminho já percorrido e para a mulher que ainda está se tornando.
Serviço
Lançamento do EP “Tukula”, de MC Íra
Data: 18 de setembro de 2026
Onde ouvir: Spotify, Deezer, YouTube Music, Amazon Music e Tidal
Pré-save: tratore.ffm.to/tukula
YouTube: MC Íra Oficial
Instagram: @mcira_
