
Por Regina Lima/ Imagem: Heudes Regis
Após mobilizar cerca de 11 mil pessoas, iniciativa do Instituto Reinventando Futuros amplia atuação pelo país e propõe uma rede nacional voltada à cultura, à sustentabilidade e ao desenvolvimento regional
Depois de mobilizar aproximadamente 11 mil pessoas em torno da economia circular, uma iniciativa criada no Nordeste começa a ampliar sua atuação para outras regiões do Brasil. O próximo passo será a realização do I Fórum Norte de Economia Circular, nos dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2026, em Belém. Em 2027, o projeto prevê uma nova edição do Fórum Nordeste, em Maceió, e o início da construção do Fórum Centro-Oeste.
A iniciativa é conduzida pelo Instituto Reinventando Futuros, criado e presidido por Liu Berman, especialista em territórios criativos e responsável pela articulação do Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC). Com edições realizadas na Bahia, em Pernambuco e no Ceará, o evento reuniu representantes do poder público, lideranças comunitárias e especialistas do Brasil e de países como Portugal, Estados Unidos e Costa Rica.
Somente nas duas últimas edições, o FNEC contou com mais de 350 painelistas e aproximadamente 300 horas de programação. Em 2026, a iniciativa reuniu cerca de 3 mil participantes, consolidando uma metodologia baseada na escuta territorial, na formação, na produção de dados, no fortalecimento de redes e na formulação de políticas públicas.
Segundo Liu Berman, a proposta de expansão não pretende reproduzir um formato único em diferentes regiões. A metodologia poderá circular pelo país, mas os temas, as prioridades, a governança e os resultados deverão ser definidos a partir das realidades de cada território.
“O princípio que orienta a expansão é simples: a metodologia pode circular, mas os conteúdos, as prioridades, a governança e o legado precisam nascer de cada território”, afirma Liu.
Na Região Norte, o fórum será realizado em parceria com o Governo do Pará, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na Amazônia. A programação ocorrerá no contexto posterior à COP30 e deverá envolver representantes do poder público, redes de catadores, organizações amazônicas, cooperativas, universidades, empreendimentos, comunidades e instituições de cooperação.
Entre os temas previstos estão bioeconomia, inclusão produtiva, saneamento, abastecimento de água, autonomia econômica das mulheres, financiamento, cultura, tecnologias, regulação e produção de dados territoriais. A intenção é considerar as particularidades econômicas, sociais, ambientais e culturais da Amazônia, evitando que as comunidades sejam apenas cenário dos debates.
“Não queremos simplesmente levar para a Amazônia um modelo pronto ou reproduzir a lógica dos grandes eventos. A intenção é que catadores, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares, mulheres e empreendimentos informais estejam desde o início participando das decisões e produzindo conhecimento sobre o próprio território”, destaca a presidente do instituto.
A proposta também prevê a constituição de uma governança amazônica permanente, a elaboração de um portfólio público das chamadas “Economias da Vida” e o desenvolvimento de instrumentos capazes de aproximar iniciativas locais, políticas públicas e fontes de financiamento. O objetivo é transformar os fóruns em plataformas permanentes de articulação, capazes de reconhecer os territórios como produtores de conhecimento, soluções e novos modelos de desenvolvimento.
A expansão ocorre em um momento de crescimento das práticas circulares no setor produtivo. De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), seis em cada dez indústrias brasileiras já adotam alguma medida relacionada à economia circular. Para os organizadores, esse cenário reforça a necessidade de levar o debate para as cidades e aproximá-lo das comunidades e da gestão pública.
