
Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação
“Contemporâneas: Um Retrato na Arte Amazônica” apresenta fotoperformances e documentário sobre criação, corpo, memória e território. Mostra será aberta no dia 4 de setembro, na Galeria Benedito Nunes, em Belém
Cinco mulheres, múltiplas linguagens e diferentes formas de compreender e transformar a Amazônia por meio da arte. A exposição “Contemporâneas: Um Retrato na Arte Amazônica” será aberta no dia 4 de setembro, às 19h, na Galeria Benedito Nunes, no Centur, em Belém. Com entrada gratuita, a mostra permanecerá em cartaz até 30 de setembro, reunindo fotoperformances e um documentário sobre o processo criativo das artistas participantes.
A exposição apresenta as trajetórias de Htadhirua, Alice Hermosa, Tarsila Rosa, Assucena Pereira e Luisa Brasil. Suas produções transitam pela fotografia, cinema, teatro, muralismo, design gráfico, pintura, dramaturgia, palhaçaria e produção cultural. Em comum, elas transformam corpo, memória e território em matéria artística, revelando também os desafios e as formas de resistência presentes no cotidiano de quem vive e produz arte na região.
Idealizada e dirigida pela artista e curadora Luisa Brasil, a mostra utiliza a fotoperformance como caminho para acessar os universos imaginários das participantes. Os ensaios foram realizados em bairros, ilhas, praias, praças, ateliês e bosques amazônicos, integrando as paisagens às narrativas construídas por cada artista.
“Ser artista contemporâneo é saber usar várias linguagens para transmitir sua mensagem, e essas mulheres fazem exatamente isso”, afirma Luisa. Segundo a curadora, o projeto nasceu de um processo de escuta e criação compartilhada. “Eu conversava com cada uma delas e trazia ideias de como o projeto poderia ser, porque ele também é autoral, é cocriado.”
Mais do que registrar a aparência das artistas, as fotoperformances procuram revelar mundos que nem sempre existem fisicamente. As imagens abordam identidade, ancestralidade, memória e pertencimento, mostrando como cada participante organiza suas experiências e transforma a realidade ao redor por meio da criação.
A diversidade também orienta a curadoria. O grupo reúne, entre outras trajetórias, uma mulher trans, uma mulher indígena e uma artista ligada a uma religião de matriz afro-brasileira. As experiências atravessam diferentes campos, como o circo, a fotografia, o vídeo e as artes cênicas, ampliando o retrato da produção contemporânea feita por mulheres na Amazônia.
O processo de construção da mostra também foi marcado pela colaboração. Cada artista foi retratada por outra fotógrafa amazônida, criando um diálogo entre quem está diante e atrás da câmera. A equipe responsável pelos ensaios foi formada majoritariamente por mulheres, fortalecendo redes de trabalho, reconhecimento e troca no campo cultural.
Para Luisa, a escolha das fotógrafas seguiu o mesmo princípio adotado na seleção das artistas. “São profissionais emergentes, que também estão fazendo seu corre e têm um olhar sensível para essa nossa vivência amazônica”, explica.
Além das fotoperformances, o público poderá assistir a um documentário sobre os processos criativos das participantes. A primeira exibição acontecerá durante a abertura da exposição. A proposta é aproximar os visitantes não apenas das obras concluídas, mas dos caminhos, escolhas e experiências que sustentam a prática artística de cada mulher.
“Espero que o público devore cada imagem e cada narrativa, que se veja nelas e tenha acesso a uma Amazônia da qual também faz parte. Espero que as pessoas sintam um quentinho no coração de ser amazônida, e que quem não é daqui experimente um pouco do agridoce que é ser amazônida”, destaca a curadora.
A exposição contará com recursos de acessibilidade em braille e audiodescrição. O projeto tem apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura, do Governo Federal, da Secretaria de Estado de Cultura do Pará e do coletivo de midiativismo Pororoka.
Serviço
Exposição: “Contemporâneas: Um Retrato na Arte Amazônica”
Local: Galeria Benedito Nunes, Fundação Cultural do Pará, Centur, bairro Batista Campos, Belém
Abertura e exibição do documentário: 4 de setembro de 2026, às 19h
Visitação: de 4 a 30 de setembro, das 8h às 18h
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Acessibilidade: braille e audiodescrição
