
Por Regina Lima/Imagem: Divulgação
A exposição Banzeiro Maeriwara com visitação aberta até o dia de 30 abril, na Casa Igapó, às quintas, sextas e sábados, das 14 h às 18h. A inauguração aconteceu no dia 16 de abril. O projeto é realizado por Nicole Ribeiro, 144 Hub e Banzeiro Exposições, com apoio da Igapó, casa criativa.
Com uma programação educativa, roda de conversa com artistas participantes da exposição e Oficinas de Desenho de Retrato e Suporte para obras de arte, a exposição, surge com a proposta de resgatar a ancestralidade, evidenciar a força dos rios que banham nossa região, bem como o resgate das vivências, costumes e importância no bem comum, na identidade do que somos enquanto povo. As inscrições são gratuitas, e estarão disponíveis na bio do Instagram da exposição,( @banzeiromaeriwara).
Sobre o projeto
Nas margens dos rios amazônicos, banzeiro é o nome dado ao movimento das águas que nasce de duas forças: o vento, que vem de longe e empurra a superfície
do rio com uma pressão antiga e constante, e o motor dos barcos, que perturba o que estava quieto e expande seu rastro em todas as direções. Quando essas forças se encontram, a onda ganha amplitude, o banzeiro se torna maior do que qualquer uma de suas causas isoladas. É perturbação e é pulso. É sinal de que algo passou, de que a passagem deixa rastro, de que a água guarda memória de tudo que a atravessa.
Maeriwara ecoa um nome mais antigo ainda. Antes de Belém existir com esse nome, as margens do Rio Guamá eram habitadas pelo povo Tupinambá, que
chamava aquela terra de Mairi. Para os Tupinambá, a terra não era um recurso.
Era um ser vivo. Território, floresta e águas fundidos em uma só entidade sagrada e pulsante. Maeriwara evoca essa herança, os que pertencem à terra de Maíra, os que ainda a habitam, os que guardam sua memória nas correntes. Esta exposição propõe o caminho de volta, não como nostalgia, como urgência, porque os rios do Pará são hoje palco de disputas que vão muito além da geografia. Projetos de dragagem, hidrovias industriais e expansão portuária sem licenciamento ambiental adequado ameaçam comunidades inteiras que nunca foram consultadas sobre o destino das águas que sustentam suas vidas. O banzeiro que
esta exposição evoca é o de toda uma cidade que precisa reencontrar sua relação com as águas para compreender o que está em risco.
Banzeiro Maeriwara é ato de preservação e de resistência. Convida o público a sentir o rio em si mesmo, como parte constitutiva de quem nasce e vive nesta
cidade. A reconhecer Belém como herdeira de Mairi, a terra de Maíra, uma cidade cujas raízes estão molhadas. A questionar o que se chama de progresso quando ele exige o silêncio das águas. E a reafirmar, com a presença, que os rios do Pará não são mercadoria.
Contatos:
Whatsapp : (91) 99305-1129 – Nicole Ribeiro
Instagram: banzeiromaeriwara
Email: banzeiromaeriwara@gmail.com
