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Por Regina Lima/ Imagem: Paulo Fávaro

Selecionados pelo Perifa.Doc, “Marabela” e “Cabelo Seco” resgatam memórias, discutem desigualdades e colocam moradores no centro das narrativas sobre a cidade

Entre paisagens, conflitos, memórias e afetos, Marabá abriga muitas cidades dentro de um mesmo território. Essa diversidade de experiências inspira os documentários “Marabela” e “Cabelo Seco”, produzidos por jovens da periferia que participam do projeto Perifa.Doc. As obras serão exibidas em Marabá e Belém, entre os dias 25 e 30 de setembro, ao lado de outras produções realizadas pelo programa.

Depois de participarem de oficinas práticas, aulas teóricas, cineclubes e saídas de campo, os estudantes transformaram questões sociais, culturais e territoriais do município em narrativas audiovisuais autorais. Os filmes partem da escuta dos moradores para refletir não apenas sobre as histórias contadas a respeito das periferias, mas também sobre quem possui o direito de narrá-las.

Inspirado no poema homônimo da professora Eliane Soares, “Marabela” aborda as contradições que atravessam os 113 anos de Marabá e sua emancipação política. O título propõe um jogo entre as expressões “MaraBala” e “MaraBela”, utilizadas para representar, respectivamente, as experiências de violência e desigualdade e as riquezas culturais, naturais e afetivas existentes na cidade.

Inicialmente, a equipe pretendia encontrar personagens que se identificassem com uma ou outra perspectiva. No entanto, as entrevistas mostraram que essa divisão não era tão simples. Em muitos casos, a violência e a beleza conviviam na trajetória de uma mesma pessoa, revelando uma cidade mais complexa, marcada por contrastes, mas também pela dança, pela música, pelas paisagens e pelos vínculos construídos entre seus moradores.

Já o documentário “Cabelo Seco” discute a relação entre território, identidade e memória. A produção parte da história do nome da comunidade, atravessada por estigmas, preconceito racial e desvalorização das mulheres negras. Durante a aproximação com o bairro, os realizadores encontraram mulheres que preservam memórias, fortalecem os laços comunitários e conduzem iniciativas culturais, como o coletivo Raízes do Cabelo Seco e o projeto Dança Longevo.

Ao colocar essas mulheres no centro da narrativa, o filme acompanha um processo de ressignificação que já acontece dentro da própria comunidade. A proposta é contribuir para que o nome Cabelo Seco seja reconhecido como símbolo de identidade, potência e orgulho, reafirmando o direito dos moradores de contar a própria história e transformar narrativas construídas de fora para dentro.

Embora tratem de questões distintas, os dois documentários se encontram ao apresentar Marabá pelo olhar de quem vive seus territórios. Nos filmes, as periferias deixam de ser apenas cenário e assumem um papel fundamental na construção das histórias, das identidades e das formas de pertencimento.

O Perifa.Doc é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, com patrocínio master da Vale. A iniciativa tem apoio do Instituto Rolé, Tuntum Cultura e Horus Planejamento e Gestão, co-realização do estúdio UM.BA.RA.KÁ e realização da Pressa Filmes e do Ministério da Cultura.

Serviço
Exibição dos documentários “Marabela” e “Cabelo Seco”
Data:
Marabá (25 de setembro)
Belém ( 30 de setembro)

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