
Por Regina |Lima/ Imagem: Divulgação
A exposição Amazônia Violada, do artista visual Jó Sales, abre para nova temporada no Fórum Landi, na Cidade Velha. A mostra permanece aberta à visitação até 11 de julho e apresenta ao público obras inéditas que ampliam a reflexão sobre as múltiplas formas de violência, memória e resistência presentes na Amazônia contemporânea.
Na sua primeira temporada realizada na programação oficial da COP 30, que recebeu mais de 10 mil visitantes, Amazônia Violada retorna com um roteiro curatorial estruturado especialmente para galeria do Fórum LANDI, conduzindo o visitante por uma jornada que atravessa ancestralidade, colonização, colapso ambiental, violência estrutural e resistência.
A exposição reúne pinturas, esculturas, poesia, trilha sonora original e elementos simbólicos da própria Amazônia para abordar temas como desmatamento, mineração, violência contra mulheres, destruição ambiental, apagamento cultural e os impactos históricos dos processos de ocupação e exploração da região.
“Mais do que denunciar, a exposição busca criar espaços de reflexão sobre a Amazônia como território vivo, formado por memórias, identidades, culturas e corpos. A arte permite que essas questões sejam sentidas e vivenciadas para além dos dados e estatísticas”, afirma o artista.
Narrativa curatorial
O percurso curatorial inicia com a Origem Ancestral, composto pelas obras Amazonas, Banzeiro e Cunhã, que apresentam a Amazônia como corpo vivo, território ancestral e espaço de existência coletiva.
Na sequência, a Memória e Colonização é representado pela obra inédita Vestígios da Colonização, concebida como eixo de transição da mostra. A obra estabelece um diálogo direto com a arquitetura histórica da Cidade Velha, do Fórum Landi e do futuro Casarão Ybyria, refletindo sobre as marcas visíveis e invisíveis deixadas pela colonização na paisagem cultural amazônica.
Representando o Colapso e Desequilíbrio, destacam-se as obras Seca, Asfixia e Extinção, abordando os impactos ambientais produzidos por séculos de exploração dos recursos naturais.
Em seguida, o visitante encontra o núcleo A Violação, formado pelas obras Código Violado, Eviscerada, Cicatrizes, Fogo, Genocídio e Fake News. Neste conjunto, a exposição amplia a discussão sobre as diferentes formas de violência que atingem a Amazônia, revelando mecanismos políticos, econômicos e simbólicos que perpetuam desigualdades e destruição.
A narrativa converge para Ybyria, obra central da exposição e representa o Corpo, Memória e Resistência. Neste momento, a Amazônia deixa de ser compreendida
apenas como território geográfico e passa a ser percebida como corpo-território, síntese das experiências humanas, ambientais e culturais que atravessam a região.
O percurso se encerra com a obra Primavera, que simboliza a persistência da vida e a capacidade de regeneração da Amazônia, reafirmando a resistência como elemento central da mostra. “A arte possui a capacidade de transformar temas complexos em experiências humanas. Amazônia Violada convida o público a enxergar a Amazônia não apenas como paisagem, mas como um organismo vivo, formado por territórios, memórias, culturas e pessoas”, destaca Jó Sales.
A realização da exposição no Fórum Landi reforça a conexão entre arte contemporânea, patrimônio histórico e ocupação cultural do centro histórico de
Belém. Nesse contexto, a obra Vestígios da Colonização assume papel estratégico ao conectar a paisagem cultural da Cidade Velha à reflexão proposta por Amazônia Violada, evidenciando que a história da Amazônia também é uma história de memória, resistência e permanência.
A exposição integra ainda um movimento mais amplo de valorização cultural da região, associado à criação do Casarão Ybyria – Centro de Arte e Cultura da Amazônia, projeto dedicado à formação artística, à preservação do patrimônio histórico e à difusão da produção contemporânea amazônica.
Como primeira atividade vinculada a essa iniciativa, o Casarão Ybyria realizará nos dias 27 e 28 de junho o workshop Face e Torso, ministrado pelo escultor Israel Kislansky, referência internacional em modelagem figurativa e representação do corpo humano.
Serviço
● Exposição Amazônia Violada – Segunda Temporada
● Artista: Jó Sales
● Local: Fórum Landi – Praça do Carmo, Cidade Velha, Belém (PA)
● Período: 07 de junho a 11 de julho de 2026
● Visitação: Segunda a sexta-feira: 9h às 12h e 14h às 18h
● Sábados: 9h às 12h
● Instagram: @amazoniaviolada
Entrada gratuita.
