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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

Com quase uma década de composição e uma identidade já reconhecida pela fusão entre rap, cultura nortista e narrativas amazônicas, o rapper paraense PA apresenta um novo trabalho. Nesta terça-feira (2), o artista lança nas plataformas digitais o EP “Crocodilo Bang”, que reúne cinco faixas inéditas.

O artista, nascido em Belém e criado em Viseu, compõe desde 2014 e começou a lançar suas músicas em 2020. Ao longo do percurso, apresentou faixas como “Swing Brasa”, “Drill do Aranha”, “Pane de Amor”, incluída no álbum O Ninja Atemporal, e “Wave Caipira”. Em todas elas, PA tem buscado uma estética que mistura crítica social, ritmos amazônicos e experimentações dentro do rap.

No novo EP, essa proposta ganha mais força. “Crocodilo Bang” é descrita pelo rapper como música de protesto, marcada por denúncias sobre a exploração da Amazônia, rios contaminados e desigualdades reforçadas pelo que ele define como “sistema”. “Arriscar na mistura do carimbó também me deixava um pouco inseguro. Fomos esculpindo, ouvindo e dividindo opiniões, até que chegamos no beat finalizado”, explicou.

A faixa também revisita a herança da Cabanagem como símbolo de resistência do povo nortista. O termo “sangue cabano”, presente na letra, é usado para evocar o sentimento de injustiça ligado ao passado da região. Para o artista, “o rap funciona como instrumento para falar das mazelas sociais e despertar consciência”.

A narrativa do EP incorpora seres da floresta como personagens afetados por crimes ambientais. Entre as referências está Oxóssi, que surge como guardião das matas. Na sonoridade, PA define o projeto como um “trap amazônico”, que combina guitarra, instrumentos orgânicos e elementos do carimbó. “Falo de Oxóssi, o Guardião das Matas e das florestas, e em um determinado trecho da música, me coloco como o espírito que protege”, descreve.

O processo criativo durou cerca de um ano, em parceria com os produtores Sebastião Trindade e Vitor Zero. Segundo o rapper, a mistura com o carimbó exigiu experimentação até que o beat fosse concluído.

O videoclipe da faixa, dirigido e roteirizado pelo próprio PA, reforça a proposta estética da obra. O audiovisual conta com Artênis Machado como o espírito sábio da floresta, Schock Baby como a entidade central e performance coreográfica de Anderson Volgue.

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