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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

A participação da entidade paraense, Palmares Laboratório-Ação na COP 30 ajudou a ampliar sua presença em diferentes frentes da conferência realizada em Belém. Para entender o alcance das ações, conversamos com representantes da instituição para falar sobre os bastidores, as estratégias e as perspectivas futuras.

De acordo com a avaliação da coordenadora da organização, Vitória Pinheiro, a participação na Cop 30 foi “uma das presenças mais marcantes da história da Palmares”. Ela explica que a organização adotou uma estratégia “triangulada”, atuando na Blue Zone, onde ocorrem negociações oficiais; na Green Zone, com debates e lançamentos; e nos espaços comunitários da cidade. “Decidimos fazer uma COP que dialogasse com a vida real. Estivemos nas mesas de negociação, mas também nas ruas, nos territórios, nos encontros que fazem parte do cotidiano das comunidades amazônicas”, afirma.

Um dos destaques foi a criação da Zona das Águas, realizada em parceria com a Chibé e iniciativas comunitárias. O espaço simbolizou a centralidade das ilhas de Caratateua, Icoaraci e Cotijuba nos debates sobre crise climática e saneamento básico. “Ao afirmar que as periferias ribeirinhas também são zonas de decisão, deslocamos o eixo da COP para onde a crise bate primeiro: a água contaminada, a falta de infraestrutura e a resistência cotidiana de quem vive entre marés e enchentes”, explica Vitória.

Essa presença ampliada se refletiu também na programação. A Palmares promoveu debates, lançamentos de livros e apresentações de cartilhas de advocacy voltadas para juventudes, infâncias e adaptação climática. Entre elas, ganhou destaque a cartilha Nossa Decisão Climática, voltada à revisão da NDC brasileira. “Fruto de escutas e oficinas com jovens de vários territórios, ela apresenta recomendações concretas para que essa geração seja incluída nas políticas climáticas nacionais”, detalha.

A instituição vai investir R$2 milhões na consolidação de Hubs de Inovação Periférica, em desenvolvimento entre Belém e Manaus, com expansão prevista para João Pessoa. Para Vitória, trata-se de um passo fundamental. “Esses hubs operam a partir do conceito de cidade-floresta: inovação enraizada na periferia, bioeconomia como prática ancestral e tecnologia social como futuro possível. As periferias já fazem economia verde. Estamos apenas reconhecendo e estruturando isso”, diz. A partir de 2026, os hubs funcionarão como espaços de inovação que abrigarão coletivos, organizações e negócios de economia verde e bioeconomia.

Quem acompanhou de perto as negociações foi Alex, pesquisador e articulador da instituição. Ele atuou diretamente no debate sobre os indicadores do Global Goals of Adaptation (GGA). “Falar de adaptação é falar da rotina amazônica. Os indicadores só fazem sentido se conversarem com o território. Defendemos que a aprovação considerasse a realidade de quem vive na linha de frente das mudanças climáticas”, explica.

Alex também relembrou a mobilização latino-americana diante da tentativa do grupo africano de adiar a aprovação dos indicadores: “Foi uma disputa intensa, que mostrou a importância de articulações regionais”.

A diretora regional da Amazônia, Kimberly, destacou que o trabalho da Palmares não se encerra com a COP. “A conferência acabou, mas os desafios continuam no território. Enxergamos a COP30 como um ponto de partida, não de chegada.” Segundo ela, a organização já se articula para influenciar os debates da COP31, que será realizada na Turquia em parceria com a Austrália, ampliando sua incidência internacional.

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