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Por Regina Lima/Imagem: Divulgação

O cinema brasileiro vive um daqueles momentos raros em que o país parece respirar imagens, histórias e personagens que ultrapassam fronteiras. Depois de décadas de persistência criativa, nossa produção audiovisual volta a ocupar espaço no imaginário internacional, despertando atenção de festivais, críticos e premiações que moldam o cenário do cinema global. É nesse contexto de efervescência que o Portal Jambu publica o artigo “O Brasil no radar do cinema mundial”, assinado pelo roteirista, produtor e professor Francisco Malta.

No texto, Malta percorre a trajetória do cinema brasileiro em sua busca por reconhecimento internacional, lembrando momentos emblemáticos e obras que marcaram a presença do país nas grandes premiações. Ao mesmo tempo, aponta para um presente promissor, no qual novos filmes, diretores e intérpretes colocam o Brasil novamente no centro das conversas sobre o futuro do cinema.

Mais do que uma reflexão sobre prêmios e festivais, o artigo convida o leitor a olhar para a vitalidade de nossas narrativas. Afinal, quando o mundo se interessa pelo cinema brasileiro, ele também se aproxima de nossas paisagens culturais, de nossas tensões sociais e da extraordinária capacidade que temos de contar histórias universais com sotaque próprio.

O autor que conduz essa análise conhece o assunto de dentro da própria engrenagem do audiovisual. Francisco Malta é roteirista de cinema e televisão, pesquisador e professor universitário, atualmente pós-doutorando em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Com doutorado em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Malta também atua como docente e coordenador acadêmico na Universidade Estácio de Sá, além de desenvolver projetos para diversas plataformas de streaming e televisão.

Autor de livros e roteirista de telefilmes exibidos em serviços como Amazon Prime Video e Apple TV, Malta reúne experiência prática e reflexão teórica sobre o audiovisual. Essa combinação aparece com clareza no artigo que segue, no qual ele examina o momento atual do cinema brasileiro e suas perspectivas no cenário internacional.

A seguir, publicamos o artigo completo.

O Brasil no radar do cinema mundial

Francisco Malta

Com frequência, a indústria cinematográfica volta seus holofotes para novos talentos que emergem no vasto universo do entretenimento. Ano após ano, descobrimos artistas e cineastas que parecem surgir repentinamente, mas que, na verdade, já construíam suas trajetórias silenciosamente, aguardando o momento certo para brilhar. O cinema, como uma arte viva, renova-se constantemente por meio desses nomes que reinventam narrativas, linguagens e modos de ver o mundo.

No cenário brasileiro, essa dinâmica não é diferente. A história do nosso cinema é marcada por ondas de renovação estética e política, por movimentos criativos que revelam vozes singulares e ampliam o repertório da produção nacional. Ao longo das décadas, assistimos à consolidação de talentos que, entre desafios e avanços, levam nossas histórias para além das fronteiras, buscando reconhecimento nos principais prêmios internacionais.

O Oscar, maior símbolo dessa disputa global por visibilidade, sempre foi um horizonte desafiador para o Brasil. Alguns filmes chegaram perto da estatueta, alimentando a esperança de um reconhecimento definitivo. Entre esses marcos estão O Quatrilho, de Fábio Barreto; O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, cuja força estética e narrativa ecoa até hoje.

Essa tão aguardada coroação, porém, só se concretiza em 2025, com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que finalmente concede ao Brasil o Oscar de Melhor Filme Internacional. Antes disso, nomes como Fernanda Montenegro e Fernanda Torres já haviam flertado com as categorias de atuação, em momentos históricos que ampliaram a presença brasileira no debate cinematográfico, ainda que o prêmio não tenha vindo.

Para 2026, o Brasil já prepara um novo capítulo nessa jornada. A atuação de Wagner Moura desponta como uma das mais comentadas do ano, alimentando expectativas reais de uma indicação e, quem sabe, uma vitória na categoria de Melhor Ator. Moura, reconhecido tanto no Brasil quanto no exterior, é um intérprete de múltiplos recursos, cuja presença em cena sempre mobiliza a crítica e o público.

O momento é ainda mais promissor quando observamos a recepção internacional de produções recentes. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, foi indicado ao Spirit Awards como Melhor Filme Internacional, reafirmando o prestígio crescente do diretor. Já Adolpho Veloso recebeu indicação de Melhor Fotografia por Sonhos de Trem, enquanto Wagner Moura conquistou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, consolidando um período de efervescência e visibilidade sem precedentes.

Toda essa euforia revela um momento de virada para o cinema brasileiro. Mais do que celebrar prêmios, trata-se de reconhecer a potência das nossas narrativas, a riqueza da nossa cultura e a força simbólica de nossas imagens. Quando o mundo volta seus olhos para o Brasil, percebe que nossas histórias são profundamente universais e, ao mesmo tempo, marcadas por uma identidade única, que merece ser valorizada, preservada e difundida.

Mini bio do autor

Francisco Malta é roteirista de cinema e televisão. Pós-doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É formado em Publicidade, Letras e Direito, com doutorado em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC.

Atualmente é Professor Adjunto IV no Ibmec, onde leciona Redação Publicitária e RTVC. Na Universidade Estácio de Sá, ministra a disciplina Produção Executiva no curso de Cinema e Produção Audiovisual.

No cinema e na televisão, possui trabalhos distribuídos em diversas plataformas, entre elas NOW, Claro TV+, Vivo Play, Looke, Apple TV e Amazon Prime Video.

Entre os telefilmes roteirizados estão: Uma Tia da Pesada, De Folha em Flor, Turma Digital, O Mistério da Rua Cosme Velho, Mãe, Sequestraram a Babá, Os Veganitos, Do Nosso Jeito, Cidade Maravilhosa e Machado: Um Homem de Palavra, cinebiografia dedicada a Machado de Assis.

Na literatura, é autor dos livros Da Palavra para a Imagem: O Processo de Adaptação Literária para o Audiovisual, Roteiro e Personagens e A Loira do Bonfim. Também é coautor de capítulos em obras dedicadas ao cinema, como Divas: As Musas da Era de Ouro de Hollywood, Rita Hayworth: 105 Anos da Deusa do Amor, Paul Newman: Belo e Indomável e Rod Serling e Richard Matheson: As Histórias Além da Imaginação.

Como orientador e supervisor acadêmico, participou da produção de projetos premiados em festivais internacionais como o Museum of Modern Art (MoMA), o Festival do Rio e o Full Frame Documentary Film Festival, acumulando mais de 45 prêmios e indicações. Em 2024, passou a integrar o programa de Pesquisa e Produtividade da Unesa, atuando também na orientação de projetos de iniciação científica.

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