
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Adrian Cowell
De 16 a 22 de outubro, o Cine Líbero Luxardo, em Belém, recebe a Mostra “Amazônia: Memórias para o Futuro”, evento gratuito que reúne mais de 40 filmes em cerca de 35 horas de exibição. A programação apresenta obras históricas de Adrian Cowell e Vicente Rios ao lado de produções contemporâneas de coletivos indígenas, promovendo um diálogo entre diferentes gerações de cineastas e reafirmando a urgência das discussões sobre desmatamento, mudanças climáticas e protagonismo dos povos originários.
A mostra propõe um mergulho em cinco décadas de registros audiovisuais sobre a floresta e revela como os alertas sobre a destruição da Amazônia antecedem a atual crise climática. A série A Década da Destruição, de Adrian Cowell, por exemplo, já mostrava nos anos 1980 que o desmatamento afetaria o regime de chuvas em toda a região central do Brasil. Quarenta anos depois, filmes como Tempestades da Amazônia (1984) e Amazônia Climática (2019) reafirmam a importância da floresta como produtora do próprio clima.
A Mostra também destaca o protagonismo dos realizadores indígenas, que registram em primeira pessoa as transformações vividas em seus territórios. Produções recentes como Floresta Doente (2024) e Sukande Kasáká (Terra Doente, 2025) abordam os impactos do garimpo, dos agrotóxicos e das invasões sobre a vida das comunidades. “Trazemos obras do passado e do presente para conversar e vislumbrar um futuro melhor para a floresta e seus povos”, afirma a diretora-geral do evento, Stella Penido.
As sessões serão seguidas de debates que aproximam gerações e campos do conhecimento. Na abertura, Vincent Carelli, fundador do Vídeo nas Aldeias, conversa com o cineasta indígena Takumã Kuikuro sobre o tema “Cinema, território de memórias”. Outros encontros incluem diálogos entre Jorge Bodanzky e a realizadora Beka Munduruku, além da presença de lideranças como Neidinha Suruí, da Associação Kanindé, e pesquisadores como Nelson Sanjad, Edna Castro, Maria Elena López e João de Jesus Paes Loureiro. O encerramento será marcado pela exibição de O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra, seguida de debate com o crítico Marco Antônio Moreira, o professor João de Jesus Paes Loureiro e a escritora Violeta Loureiro.
No dia 21 de outubro, com o lançamento do livro póstumo Como Salvar a Amazônia: uma busca mortal por respostas, escrito pelo jornalista britânico Dom Phillips, assassinado em 2022 ao lado do indigenista Bruno Pereira. A obra, finalizada com colaboração de Eliane Brum, Beto Marubo e Andrew Fishman, será apresentada por Angela Mendes, Alessandra Sampaio e Helena Palmquist, com coordenação de João Meirelles, do Instituto Peabiru.Entre os destaques estão a exibição da filmografia rara de Adrian Cowell, que documentou cinquenta anos de transformações na Amazônia, o lançamento do documentário Um olhar inquieto: o cinema de Jorge Bodanzky (2024), com presença do diretor, e a sessão especial de Adeus, Capitão (2022), de Vincent Carelli, sobre o líder Gavião Krohokrenhum.
Idealizada pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, em parceria com a Makunaima Produção Audiovisual e o Museu Paraense Emílio Goeldi, a Mostra Amazônia: Memórias para o Futuro é inteiramente gratuita e acontece de 16 a 22 de outubro, no Cine Líbero Luxardo, localizado na avenida Gentil Bittencourt, 650, bairro de Nazaré, em Belém. A programação completa pode ser consultada no perfil @amazoniamemoriasparaofuturo.
