
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
Com objetivo de reafirmar a força da literatura amazônica e a diversidade dos saberes da região, a 28ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, que acontece de 16 a 22 de agosto, das 9h às 22h, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, com entrada gratuita, escolhe, este ano, como homenageados o compositor e criador do búfalo bumbá, Mestre Damasceno e a escritora e poeta Wanda Monteiro, de Alenquer, no Baixo Amazonas.
A edição deste ano será guiada por sete eixos temáticos, que organizam as atividades ao longo dos sete dias: Vozes da Poética e da Encantaria, Vozes do Clima e da COP30, Vozes da Diversidade e Inclusão, Vozes da Infância e Juventude, Vozes do Escritor Paraense, Vozes Cabanas e Vozes dos Saberes Ancestrais. A Arena Multivozes, agora no Salão B, será o espaço principal das programações culturais, com debates, rodas de conversa e apresentações artísticas.
Entre os espaços já tradicionais, seguem firmes o Ponto do Autor, o Beco do Artista e a Feira Criativa, que reúnem escritores, quadrinistas, ilustradores e empreendedores da economia criativa local.Durante o lançamento, no Teatro Gasômetro, representantes da Secretaria de Cultura do Estado (SECULT) destacaram a programação, que contará com mais de 100 autores paraenses autografando livros, cerca de 70 convidados nos papos literários e quase 200 estandes de editoras, livrarias e distribuidoras. “A nossa Feira é do livro, mas é também das multivozes, das oralidades amazônicas. Valorizamos os nossos povos e comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas”, afirmou a secretária de cultura Ursula Vidal.
Cultura e tradição em letras e ritmosMestre Damasceno, natural da comunidade quilombola do Salvá, em Salvaterra, é uma das principais referências do carimbó e da poesia oral amazônica. Criador do Búfalo-Bumbá de Salvaterra, carrega em sua arte a resistência negra, a força da tradição quilombola e os encantos da natureza marajoara. E Wanda Monteiro, filha do escritor Benedicto Monteiro, é autora de poemas, contos e romances que atravessam a memória, os afetos e as lutas do povo ribeirinho. Sua atuação literária é indissociável do ativismo social e da preservação do legado do pai.
A homenagem a Damasceno e Wanda se estende também aos lançamentos editoriais da Secult. Serão lançadas três obras com o selo da secretaria: “Mestres Damasceno e as Cantorias do Marajó”, de Antonio Carlos Pimentel Jr., voltado ao público infantojuvenil; “Wanda Monteiro – Poesia reunida”, com textos que atravessam o cotidiano e os afetos amazônicos; e a nova edição de “O Homem Rio – A saga de Miguel dos Santos Prazeres”, obra clássica de Benedicto Monteiro, celebrando seu centenário de nascimento.
