
Por Regina Lima/Imagem:Divulgação
Hoje, 8 de março, data que comemora o Dia Internacional da Mulher, que representa um marco global de reflexão sobre a luta por igualdade e direitos, que reconhece a força, a resiliência e a capacidade transformadora de todas as mulheres na sociedade, o Portal Jambu publica texto produzido pela artista visual paraense Mel Melo, para, em nome dela, prestar homenagem para todas as mulheres.
Sobre a artista paraense Mel Melo
Mel Melo, artista visual e criadora de universos que atravessam o espiritual, o político e o social, carrega na arte a força de quem transforma vivência em imagem. O desenho sempre fez parte da sua vida desde a infância, mas foi entre 2015 e 2016 que retomou com mais intensidade sua produção artística. Ainda assim, foi em 2023 que decidiu se mostrar ao mundo, assumindo publicamente sua identidade como artista e ocupando espaços que antes pareciam distantes. Desde então, sua trajetória vem sendo marcada por reconhecimento, premiações e participações em importantes eventos culturais dentro e fora do Brasil.
Em 2023, Mel conquistou o 1º lugar no Concurso de Desenho Autoral do Círio e foi artista premiada no 4º Prêmio Frida Kahlo de Arte para Pessoas com Deficiência, consolidando seu nome no cenário artístico PCD. Em 2024, participou da exposição “Levantes Amazônicos”, no Museu de Artes de Belém (MABE), integrou o Festival Amazônia Mapping e foi artista convidada na Mostra UNAMA. Na Convenção Guarapari Fest Tattoo, conquistou 1º lugar em Arte Livre PCD com pintura em tela e 2º lugar em Escultura, além de alcançar o 3º lugar na categoria Série de Desenho Colorido na Expo Leão do Norte Tattoo.
Sua arte também ultrapassou fronteiras ao participar do Amazon Day International Festival 2024/2025 e, em 2025, integrar a exposição “As Mil Faces da Amazônia”, no Museu Moravo Regional, na República Tcheca.
Em 2025, Mel participou da Mostra Mulherio VI, da exposição “Aparelhagem O Fenômeno da Amazônia”, da Feira Gráfica Jenipapo, da Revista Digital Click Rua e do Ink In Design Tattoo Convention, onde conquistou novamente 1º e 2º lugares em categorias de desenho.
Também integrou exposições coletivas como “Caminhos do Círio Entre o Sagrado e o Profano”, “Nossa Chance para Adiar o Fim do Mundo” e “Amazônia Esperança Ancestral”. Ministrou a oficina “Marcha Saúde e Clima” durante a COP 30, pelo coletivo Segue a Pororoka, reforçando seu compromisso com a arte como ferramenta de conscientização social e ambiental.
A produção de Mel Melo é múltipla e potente. Ela trabalha com pintura em tela, desenho tradicional e digital, grafismo, fotografia e escultura, explorando diferentes suportes e linguagens visuais. Também desenvolve obras a partir de materiais que seriam descartados, ressignificando objetos e transformando resíduos em arte. Essa prática dialoga diretamente com suas pautas ambientais e com a valorização do reaproveitamento como gesto político e poético.
Sua estética transita entre o realismo, o simbolismo e o surrealismo, com cores vibrantes e forte carga espiritual. Entre os temas que atravessam sua obra estão ancestralidade indígena e afro-brasileira, espiritualidade e religiosidade de matriz africana, preservação da Amazônia e dos rios, resistência cultural, identidade, corpo e pertencimento, além de denúncia social e posicionamento político.
Mel Melo também se destaca por suas artes ativistas, participando de chamadas públicas, exposições de protesto e projetos voltados para causas sociais e ambientais. Seu trabalho questiona, provoca e convida à reflexão, reafirmando a Amazônia como centro de produção cultural, pensamento e resistência.
Ser artista PCD, mulher paraense e amazônida não é apenas parte de sua biografia, é parte da sua estética e do seu posicionamento. Cada obra carrega memória, denúncia e esperança.
Desde 2023, quando decidiu se mostrar ao mundo, Mel Melo constrói uma trajetória de coragem, força e expansão.
Sua arte não é apenas imagem.
É manifesto.
É raiz.
É ancestralidade viva em movimento.
