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Por Regina Lima/Imagem Rogerio Silva

A cantora e rapper paraense MC Íra lança, no dia 5 de fevereiro, nas principais plataformas digitais de música e no You Tube, o single e videoclipe “Trama”. A faixa antecipa o EP “Maramba”, previsto para 2026, e marca o primeiro trabalho da artista em parceria com Brunoso e Saturação.

Utilizando o rap como base, MC Íra mistura influências do funk e do boombap, construindo uma sonoridade urbana conectada às vivências da Amazônia periférica. Em “Trama”, a artista reflete sobre identidade, autoestima, ambição e construção de trajetória a partir da experiência de uma jovem mulher negra, LGBT e da periferia de Belém.

Conhecida pelo vulgo “Íra” e conhecida como “Joia”, carrega o brilho não apenas como estética, mas como símbolo de um percurso marcado por resistência e construção de autoestima. Na letra, passado e presente se entrelaçam, dos centavos contados na infância aos palcos, deixando claro que nada é acaso: tudo é trama, tudo é construção.

“O rap é muito político, e contar a minha trajetória também é político. Quando eu falo que precisei contar os centavos na infância, eu tô falando de uma questão social. E quando falo de mudança de vida, é sobre como o rap e a arte estão transformando a minha realidade”, afirma MC Íra.

A faixa também aborda escolhas e limites, reforçando que quem não soma, não ocupa espaço. Entre críticas à falsa relevância e afirmações de identidade, a artista demonstra domínio da própria narrativa e maturidade artística, resultando em um som seguro, provocativo e cinematográfico.

Rap, território e arte política. Para MC Íra natural de Belém do Pará, do bairro da Marambaia, o rap é uma ferramenta de denúncia e transformação social. Suas letras partem da vivência periférica, das desigualdades sociais e da afirmação de corpos negros e de terreiro como corpos políticos.

“Nossos corpos são políticos. Muitas das dificuldades que a gente vive não são individuais, são sociais. Minha música nasce da periferia, da vivência real e também da conquista de ocupar espaços que antes pareciam impossíveis”, destaca.

Um dos versos de “Trama” faz referência à necessidade de amadurecer cedo, realidade comum a muitas juventudes negras e periféricas. “Ser obrigada a virar adulta muito cedo não é um caso isolado. Muitas jovens negras e pessoas pobres vivem isso. Enquanto algumas pessoas podem só estudar, a gente precisa assumir responsabilidades desde muito nova”, completa.

Moda, estética e consumo consciente. A estética ocupa papel central no projeto e dialoga diretamente com a cultura hip-hop e com a construção de autoestima. Para a artista, vestir-se bem também é um ato político e de afirmação.

“Hoje eu me visto como sempre quis, mas que na adolescência e não tinha condições. A arte tem me proporcionado isso, com muito esforço. Ainda não vivo só da música, então também preciso buscar outras formas de renda. E tem que ser estratégico, e a moda sustentável também foi uma forma que me ajudou muito a fazer com que eu me vista do jeito que eu quero, com criatividade.” explica.

O styling do videoclipe é assinado por Raquel Lima (Princess Babe), modelo, influenciadora de moda sustentável, brechós e criatividade estética acessível. “Chamar a Raquel para esse projeto foi uma decisão cuidadosa. Ela fala justamente sobre moda sustentável, brechó e sobre como transformar um look com criatividade em algo potente, e como podemos elevar nossa autoestima com os recursos que possuímos.”, afirma Íra que ressalta que a parceria com a figurinista foi fundamental para a concepção visual do single.

Público, equipe e políticas pública

O projeto dialoga diretamente com juventudes negras e periféricas da Amazônia urbana, além de fãs de rap, black music, afrobeat e gêneros periféricos. A obra também possui forte identificação com a comunidade LGBT+, especialmente mulheres lésbicas e bissexuais, que encontram nas canções espaços de representatividade, afeto e liberdade.

O single e videoclipe “Trama” foram financiados por meio da Lei Aldir Blanc PNAB, com equipe majoritariamente negra de profissionais de Belém (PA), fortalecendo a cadeia produtiva da cultura local.

“Os editais são fundamentais para artistas independentes, principalmente no Norte. Sem recursos, a gente não consegue entregar o trabalho como imagina. A visibilidade na imprensa também é essencial pra que nosso trabalho chegue a outros territórios”, reforça a artista.

Quem é MC Íra

MC Íra (Maíra Mendes Rocha Gomes) é cantora, rapper, DJ e produtora cultural paraense. Nascida no Amapá e criada em Belém (PA), no bairro da Marambaia, destaca-se no cenário do rap e trap do Norte do Brasil.

Desde 2019, constrói uma carreira independente com foco em empoderamento feminino, luta antirracista, vivência periférica e ancestralidade. Entre seus trabalhos estão o álbum “Joia” (2024), o EP “Opala” (2021) e os singles “Menina Pretinha”, “Exú que Fez”, “Flow Viralata”, “Elas gostam de perigo” e “Vinguei”. Além da música, atua como produtora de poesia, videoclipes e é produtora de batalhas de rima, como a Battle Girl Power, fortalecendo a presença de mulheres na cultura hip hop.

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