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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

No dia 31 de outubro, às 19h, na CAIXA Cultural Belém, no Porto Futuro, acontece o lançamento da edição comemorativa do livro Letras que Flutuam, que marca o centenário do ofício dos abridores de letras na Amazônia. A programação inclui bate-papo com a autora Fernanda Martins e mestres ribeirinhos, sessão de autógrafos e a estreia do show “Seu Monteiro e os Rios”, criado especialmente para a celebração. A entrada é gratuita.

O livro é considerado pela autora, um mergulho na memória e na estética ribeirinha, fruto de 20 anos de pesquisa de campo que percorreu comunidades de Abaetetuba, Barcarena, Igarapé-Miri, Curralinho, Breves, Soure, Salvaterra e São Sebastião da Boa Vista. “O livro é memória viva. Muitos dos mestres que entrevistamos já faleceram, alguns durante a pandemia. Essa obra garante que suas vozes, seus saberes e sua arte não desapareçam”, afirma a autora Fernanda Martins.

A primeira edição, publicada em 2021, foi finalista do Prêmio Jabuti 2022 nas categorias Artes, Capa e Projeto Gráfico. O reconhecimento ampliou o alcance do trabalho e consolidou a relevância do livro como referência para a cultura visual da Amazônia. “Nossa intenção foi traduzir visualmente a riqueza da letra amazônica e da cultura ribeirinha. Queríamos um livro colorido, quente e vivo, como um barco navegando em meio à floresta”, completa Fernanda.

O público também poderá assistir à estreia de “Seu Monteiro e os Rios”, show inédito que une guitarrada amazônica, carimbó e sonoridades afro-indígenas. O trio formado por Seu Monteiro (voz e guitarra), Panzera (baixo) e Gustavo Paz (bateria) cria um diálogo entre música e artes visuais inspirado nas marés, nas águas e na escuta ribeirinha.

A nova edição do livro, com tiragem de dois mil exemplares, conta com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, além de parceria com o Governo do Pará, a Secult e a Seduc. Duzentos exemplares serão destinados a escolas públicas do estado, em um circuito educativo com oficinas e rodas de conversa.

“Levar esse debate às escolas públicas é inaugurar a conversa sobre a importância da nossa própria cultura nos espaços de ensino, fortalecendo o trabalho dos professores e a autoestima dos estudantes”, afirma Fernanda.

Em um momento em que Belém se prepara para sediar a COP30, a autora destaca que o livro também é um gesto de salvaguarda cultural. “Letras que Flutuam mantém viva uma tradição secular que expressa a identidade visual da Amazônia e a criatividade do seu povo. É um símbolo de resistência, memória e futuro.”

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