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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

Símbolo do Norte, o açaí é o fio condutor de uma trilogia de documentários produzida por jovens ribeirinhos das ilhas de Belém. O terceiro filme do projeto Cine Pesca será lançado nesta sexta-feira (19), às 9h, na Casa Escola da Pesca, da Funbosque, na Ilha de Caratateua, em Outeiro. A exibição é gratuita e integra a proposta de circulação do cinema comunitário pelas ilhas da capital paraense.

A nova produção encerra um percurso iniciado em 2023, quando o Cine Pesca passou a registrar o Festival do Açaí nas ilhas de Jutuba e Viçosa. Agora, o documentário chega à comunidade do Fama, ampliando o olhar sobre o fruto que organiza práticas cotidianas nas ilhas, da alimentação ao trabalho, das festas à memória coletiva. Filmado por quem vive nesses territórios, o projeto busca guardar em imagem e som um modo de vida ribeirinho que se constrói em torno do açaí.

Criado em 2015, o Cine Pesca atua como cineclube e escola de audiovisual. Jovens estudantes das ilhas do norte de Belém participam de oficinas e assumem todas as etapas do processo cinematográfico, da captação de imagens e som à montagem. A proposta desloca a juventude do lugar de objeto de representação para o de autora do próprio registro, produzindo narrativas que partem da vivência direta com o território.

Ao acompanhar o Festival do Açaí, os filmes mostram que a celebração aparece como expressão de economia local, herança familiar e identidade comunitária, articulando trabalho, sociabilidade e pertencimento. As histórias são contadas a partir de relações próximas, com entrevistas feitas com familiares, vizinhos e lideranças locais.

Segundo a arte-educadora Renata Aguiar, idealizadora do Cine Pesca, as exibições dos filmes costumam mobilizar fortemente as comunidades. Para ela, existe um desejo coletivo de se reconhecer na tela, de ver a própria casa, a própria festa e a própria voz representadas. As sessões, afirma, frequentemente se transformam em encontros, com comentários espontâneos e partilhas que reforçam o cinema como experiência coletiva.

Nesta etapa, além do lançamento do documentário, o Cine Pesca segue promovendo a circulação dos filmes por meio da Mostra Ilhas. Mesmo sem novos recursos de captação, o projeto mantém sessões com projetor e tela grande em diferentes comunidades, buscando retirar o audiovisual da experiência individual do celular e devolvê-lo ao espaço comunitário.

Com o encerramento da trilogia dedicada ao açaí, o projeto também sinaliza novos rumos. A proposta é documentar outros festivais e expressões da cultura alimentar das ilhas, envolvendo frutas, peixes e mariscos, a partir de demandas apresentadas pelas próprias comunidades. A iniciativa reforça o cinema como ferramenta de escuta, preservação da memória e construção coletiva nas ilhas de Belém.

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