Neste final de semana, 22 e 23 de fevereiro, acontece III Festival de Carimbó de Icoaraci, no Espaço Cultural Coisas de Negro. Com entrada gratuita, o festival promete uma imersão na tradição do Carimbó, ao reunir mestres, artistas emergentes e amantes da cultura popular para celebrar o ritmo que é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

Por Kelvyn Gomes/Imagem: Pierre Azevedo
Destaques da programação
A programação conta com vivências, feira de empreendedores, projeções audiovisuais e rodas de carimbó que passeiam entre o tradicional “pau e corda” e as novas estéticas urbanas do gênero. No sábado, 22, o festival tem início às 16h, com a tradicional chegança dos convidados e abertura do espaço. Entre as atividades, destaca-se a vivência “Ancestralidade, Ritmo, Poesia e Resistência”, conduzida por Mestres Nego Ray, Jaci, Mestra Nazaré do Ó e Priscila Cobra. O professor e pesquisador Silvio Barbosa também apresenta um pocket show instrumental explorando a fusão do carimbó com a flauta de barro.
No domingo, 23, a programação inicia às 16h com a abertura do Coisas de Negro, seguida por uma sequência de apresentações de grupos como Expressões Parafolclóricas Uirapuru, Conjunto de Carimbó Águia Negra, Grupo Os Africanos de Icoaraci e outros. O encerramento da noite será com uma grande roda de carimbó conduzida por Mestre Nego Ray & Carimbó de Icoaraci, acompanhados por Luizinho Lins e Carimbó Tamaruteua.
Como parte da contrapartida social do festival, no dia 6 de março, haverá uma vivência de carimbó na Escola Municipal Ciro Pimenta, no Conjunto Eduardo Angelim, seguida de uma roda com Iris Selva e Pássaros Urbanos.
A Importância do Festival para a Cultura Paraense
Desde sua primeira edição o evento proporciona uma experiência imersiva para o público, não apenas por meio da música e da dança, mas também através das vivências e oficinas que permitem um contato direto com mestres e mestras do carimbó. Segundo Mestre Nego Ray, coordenador do festival e do Espaço Cultural Coisas de Negro, o festival é essencial para a manutenção e expansão da tradição. “O carimbó não é apenas um ritmo, é uma forma de resistência cultural e de pertencimento. Ele nos une, nos ensina e nos fortalece”, destaca o mestre.
Para Luizinho Lins, banjista, cantor e compositor, a roda de carimbó de Icoaraci se consolidou como um espaço de encontro e troca entre gerações. “A cultura popular e suas linguagens nos conectam às dimensões do bem viver. O carimbó nos faz compreender que somos parte da natureza e nela nos harmonizamos”, afirma.
Priscila Cobra, artista e produtora executiva do festival, reforça a importância do evento para a salvaguarda da cultura amazônica. “Nosso objetivo é fomentar a troca de saberes, promover o acesso gratuito à arte e difundir a música paraense, valorizando mestres, tocadores e suas histórias”, explica.
A edição de 2025 também presta homenagem póstuma a grandes nomes do carimbó, como Mestres Coutinho, Saraiva, Bené e Tabaco, antigos integrantes do Conjunto Uirapuru do Mestre Verequete.