
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
Vindos de diferentes regiões do Pará, mais de 20 mestres ribeirinhos se reúnem amanhã, dia 6 de setembro, para o III Encontro de Abridores de Letras do Pará, em Belém, na Casa da Redação. O objetivo do encontro é fortalecer os vínculos entre mestres que transformam barcos em telas flutuantes e resistem como guardiões de uma das expressões gráficas mais singulares da Amazônia.
Esta edição marca o início de um novo capítulo. O evento funcionará como etapa preparatória para o projeto “Letras que Navegam – Oficinas de Letras Amazônicas pelo Brasil”, patrocinado pela CAIXA e viabilizado pela CAIXA Cultural Belém. A iniciativa levará os mestres para uma itinerância nacional inédita, com oficinas e vivências em unidades da Caixa Cultural em Belém, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza, a partir de outubro.
Os abridores de letras participarão de uma oficina conduzida pela professora Marcela Castro, mestra em Análise do Discurso pela UFPA e especialista em metodologias pedagógicas. Ela atuará como mediadora entre a prática dos mestres e estratégias de ensino, apoiando-os na sistematização de formas de transmitir o saber tradicional. “Nosso objetivo é ajudar a estruturar metodologias, de modo que esses saberes possam alcançar mais pessoas e gerar novas oportunidades de renda e reconhecimento. Cada abridor tem um modo próprio de ensinar, e isso é riqueza. A ideia é construir juntos caminhos para que esse conhecimento seja multiplicado, garantindo que eles sejam os protagonistas dessa transmissão”, afirma Marcela.
Com essa preparação pedagógica, os mestres estarão ainda mais preparados a atuar como educadores em diferentes contextos, ampliando a autonomia e fortalecendo a renda por meio de oficinas em escolas, centros culturais e universidades. O processo reafirma o lugar dos abridores como referências culturais ativas, aptas a dialogar com públicos diversos sem perder o vínculo com seus territórios ribeirinhos.
Para Fernanda Martins, presidenta do Instituto Letras que Flutuam (ILQF), o encontro simboliza uma virada histórica. “O Instituto Letras que Flutuam recebe com muita alegria essa parceria com a Caixa, que viabiliza a ida dos mestres para oito unidades da Caixa Cultural em diferentes capitais. É uma oportunidade única de mostrar a Amazônia e permitir que o Brasil conheça de perto esses artistas populares. Só se ama o que se conhece, só se preserva o que se conhece. Esse encontro é fundamental para prepará-los para essa itinerância, fortalecendo os laços entre eles e consolidando um coletivo que carrega um patrimônio imaterial centenário”.
