
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Arthur Gaia
O ator, produtor cultural e dramaturgo Igor Ibiapina, natural de Abaetetuba, celebra 10 anos de trajetória artística com a estreia do monólogo musical autoral “Eu, o Boto Abaeteuara”, que terá pré-estreia no dia 5 de fevereiro, exclusiva para convidados, e temporada aberta ao público de 6 a 8 de fevereiro, no Centro Social Franciscano, em Abaetetuba, com sessões às 19h no dia 6 e em horários duplos, às 15h e 19h30, nos dias 7 e 8, com entrada por ingresso solidário mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível.
A obra marca o retorno do artista à terra natal após quatro anos de formação em artes cênicas e dança em São Paulo, é produzida por uma equipe inteiramente paraense e propõe um reencontro afetivo entre memória, identidade amazônica e criação contemporânea.
Aos 28 anos, Igor Ibiapina retorna ao Pará após circular entre Abaetetuba e São Paulo, onde se formou pela SP Escola de Teatro e pela SP Escola de Dança. “Eu, o Boto Abaeteuara” é seu primeiro monólogo musical e sintetiza um processo de amadurecimento artístico e pessoal, articulando atuação, canto e dança em uma dramaturgia que revisita símbolos, narrativas e afetos do território abaetetubense. Segundo o autor, o público pode esperar uma experiência marcada pela identificação e pela reflexão. “Desenvolvi um novo olhar sobre a minha cidade e suas potencialidades, transformando isso em entretenimento, arte potente e reflexão. Vai ser lindo compartilhar a minha arte e honrar as raízes abaetetubenses no lugar em que me formou como cidadão e artista, antes mesmo de me profissionalizar”, afirma.
O espetáculo é definido como uma tragédia amazônica com estética de realismo fantástico à beira do rio. A narrativa acompanha Caique, um jovem ribeirinho órfão que vive na encantada Ilha da Pacoca e tem sua vida transformada ao se apaixonar por Anahí, uma jovem da cidade. O romance, atravessado por forças místicas que habitam a ilha, conduz a trama por caminhos que transitam entre o lúdico e o trágico, sob a luz da lua cheia, dialogando com imaginários tradicionais da Amazônia e com questões contemporâneas de pertencimento e destino.
A construção dramatúrgica é resultado de uma pesquisa aprofundada sobre a identidade cultural de Abaetetuba. Igor Ibiapina dialoga com referências do cinema amazônico, como o filme “Ele, o Boto” (1987), obra produzida integralmente no município, além da literatura histórica de autores como Jorge Machado, Carlos Correia Santos, Nazaré Lobato e Monte Serrat, incorporando esses repertórios à linguagem cênica do musical.
Um dos momentos mais simbólicos do espetáculo é a interpretação da canção “Boto Sonhador”, clássico da Banda Grasom, escolhida como homenagem ao avô do artista, Graciliano Corrêa, tecladista e sanfoneiro do grupo. Pela primeira vez, o avô assistirá ao neto unir atuação, canto e dança no palco. “É um momento histórico na minha vida e carreira. Cantar essa música é honrar minhas raízes e mostrar para o meu avô o fruto do caminho que ele ajudou a pavimentar, mesmo sem saber, através da música”, relata Igor.
Produzido enquanto o artista ainda concluía sua formação em São Paulo, o espetáculo contou com apoio da Política Nacional Aldir Blanc, por meio da qual o projeto foi inscrito e aprovado. Para Igor, o fomento cultural foi decisivo não apenas para a viabilidade da obra, mas para a valorização da mão de obra local. Com ficha técnica composta exclusivamente por profissionais paraenses, o musical reafirma a Amazônia como protagonista de sua própria produção cultural. “O orgulho de ser e viver em Abaetetuba é essencial para preservar nossa memória. Incentivos como a PNAB são fundamentais para que possamos gerar renda para nossos profissionais e mostrar ao público que ir ao teatro é um ato de valorização da nossa própria história”, destaca.
A equipe técnica do espetáculo reúne profissionais de diferentes áreas da cena artística paraense, com Igor Ibiapina na atuação e dramaturgia, Dante Monteiro na direção cênica, Victória Aben-Athar na direção coreográfica, Eliane Flexa na preparação corporal, Wilson Pontes na preparação vocal, Thais Sales na cenografia e figurino, Leonardo Befox no sound design, Artur Gaia no design gráfico e fotografia, Mielle Belo e Marcelo Pedro na técnica de som, Emanuele Corrêa na assessoria de imprensa e Regina Vilhena na produção executiva.
O espetáculo “Eu, o Boto Abaeteuara” acontece de 6 a 8 de fevereiro, no Centro Social Franciscano, localizado na travessa Jardim Atalaia, ao lado da Igreja São Benedito, em Abaetetuba. A classificação indicativa é de 12 anos, sendo obrigatória a presença de responsáveis para menores dessa faixa etária. Os alimentos arrecadados com os ingressos solidários serão destinados ao próprio Centro Social.
