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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Wagner Barros Serejo

A grafiteira paraense, Mina Ribeirinha, inaugura, em São Paulo, o mural “Nada Começa Quando Inicia Ou Termina Quando Acaba”, para homenagear a história da Marcha das Mulheres Negras.A obra, instalada no CEU Inácio Monteiro, na Cidade Tiradentes, homenageia a ativista amazônida Nilma Bentes e integra a nova etapa do Museu de Arte de Rua (MAR), projeto da Secretaria Municipal de Cultura que transforma a cidade em galeria a céu aberto.

A escolha de Nilma como figura central do mural acompanha um marco que retorna às ruas em 2025: os 10 anos da Marcha das Mulheres Negras. Proposta pela própria ativista, a marcha mobilizou 50 mil mulheres em 2015 e voltou ao cenário nacional com o tema “Por Reparação e Bem Viver”. O mural faz dessa retomada ao destacar a memória, o legado e a continuidade da luta contra o racismo e por justiça racial.

Segundo Mina Ribeirinha, a inspiração para a obra nasceu da própria frase que dá nome ao mural, cunhada por Nilma (Nada começa quando inicia ou termina quando acaba). Para a artista, essa noção expressa a dimensão histórica e permanente da marcha e destaca ainda que a frase sintetiza um movimento político contínuo. “Esta citação poderosa nos atravessa e, para mim, é como um chamado que ressoa junto com o tema da marcha este ano, Por Reparação e Bem Viver.  Ressalta que a marcha não se limita a um evento específico que acontece em um único dia; representa um processo constante em busca de justiça e igualdade”.

A artista posicionou a frase no topo do painel como forma de homenagear a ativista em vida e reforçar a importância de reconhecer as referências do movimento negro enquanto seguem atuantes. “É uma afirmação da continuidade de nossos passos, da oralidade, do empoderamento, da união e da luta”, completa.

Com 109m², o mural combina elementos da estética afro-amazônica e símbolos de ancestralidade africana para narrar a trajetória coletiva das mulheres negras. Nilma Bentes aparece em primeiro plano, de cabeça erguida e olhar firme, trajando símbolos adinkra ligados a coragem, perseverança e liderança. Ao fundo, a Praça dos Três Poderes evoca a marcha que pretende conduzir um milhão de mulheres negras até Brasília em 2025.

Para Mina, o mural também busca democratizar a presença da arte negra nas cidades e reforçar a importância de lideranças como Nilma Bentes para as futuras gerações. “A arte é ferramenta de denúncia, mobilização e afeto. Ela amplia a memória do movimento e inspira crianças, jovens e mulheres a seguirem em marcha”.

O mural foi produzido com apoio do Projeto MAR, Museu de Arte de Rua, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e com realização da Seiva Cultural.

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