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Por Kelvyn Gomes / Imagem: Divulgação

A Câmara Municipal de Belém aprovou por unanimidade o projeto de lei que reconhece o Festival Psica como Patrimônio Cultural Imaterial do Município. A proposta, que segue agora para sanção do prefeito, chega no mesmo ano em que o Psica se torna Instituto e inaugura sua sede permanente, a Casa Dourada, que garante a expansão das ações do projeto para além dos dias de festa. Em dezembro, o festival volta a ocupar a Cidade Velha e o Mangueirão com mais de 70 atrações na edição “O Retorno da Dourada”.

O reconhecimento institucional é resultado de um percurso que começou longe das grandes estruturas culturais. Os irmãos paraenses Jeft Dias e Gerson Júnior cresceram na feira da Cidade Nova 4, ajudando o pai a vender CDs e DVDs, em meio a sons superpostos, capas coloridas e a circulação de artistas da música periférica. Foi ali que entenderam que a cultura amazônica nascia da rua e das mãos de quem a vive diariamente. “Aquele ambiente cheio de sons e cores nos levou por esse caminho”, lembra Jeft. Gerson reforça. “A feira foi nossa escola. Dela veio o entendimento de que a música periférica é potente e diversa”.

A partir dessa vivência, o Psica surgiu como um festival independente e underground, impulsionado pela criatividade de juventudes pretas, indígenas, periféricas e LGBTQIAPN+. A vereadora Marinor Brito (PSOL), autora do projeto de lei aprovado, destaca essa origem. Para ela, o festival traduz a força cultural que brota da Amazônia urbana e rompe com modelos tradicionais de produção. “O Psica nasce da feira, da periferia, da criatividade amazônica, que nunca precisou de aval do centro para existir. É fruto da juventude que transformou o improviso em política cultural de alcance internacional”, afirma.

Para Jeft Dias, o reconhecimento como patrimônio imaterial reforça a dimensão comunitária do festival. “O Psica injeta recursos nas periferias, fortalece cadeias criativas e amplia oportunidades reais de renda”, afirma.Gerson Júnior vê sintonia entre o avanço do projeto de lei e o novo momento da iniciativa. “O Psica se tornou Instituto, abriu sua sede permanente e agora vê esse reconhecimento avançar no poder público. Isso nos dá ainda mais responsabilidade para seguir ampliando impacto, inclusão e sustentabilidade”.

Com o título de patrimônio cultural prestes a ser oficializado, o festival se prepara para mais um capítulo de sua história. Em 2025, o Psica retorna com a edição “O Retorno da Dourada”, reunindo nomes consagrados como Dona Onete, Martinho da Vila, Marina Sena e Jorge Aragão, além de artistas emergentes da Pan-Amazônia, reforçando seu papel como vitrine da produção musical contemporânea do Norte.

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