
Por Kelvyn Gomes/Imagem: José de Holanda
O coletivo Laranja Mecânica realiza, entre os dias 4 e 6 de setembro, em Capitão Poço, no Nordeste do Pará, a 11ª edição do Festival Laranja Mecânica.
Criado a partir da cena de rock autoral da região, o evento amplia este ano o repertório com a presença de ritmos diversos e a participação do guitarrista e compositor Manoel Cordeiro, um dos grandes nomes da música amazônica. A programação é gratuita.
O nome do festival é uma referência à laranja, principal produto agrícola do município, que fez Capitão Poço ganhar o título de “Terra da Laranja”. A inspiração também vem do clássico filme de Stanley Kubrick, lançado em 1972, num jogo de sentidos que mistura identidade local e cultura pop.
Idealizado inicialmente pelas bandas Imagem Distorcida, Esquadrão Cachorro Amarelo e Laranja Lo-fi, o Laranja Mecânica sobreviveu ao fim desses grupos e se consolidou sob a organização do coletivo Los Pelicanos, formado por parte dos músicos fundadores. “Nosso festival tem história e valor sentimental para muitas pessoas de Capitão Poço e de cidades vizinhas. Foi o primeiro festival alternativo da região e continua servindo de palco para muitos artistas e dando acesso ao público”, explica Yan Pereira, coordenador do evento.
O festival integra o circuito “Cultura em Movimento”, que articula festivais no Nordeste paraense. Este ano, já promoveu o Eco Rock em Primavera e seguirá em dezembro com o Rio Ouricuri, em Capanema, e o FestiRimbó, em Santarém Novo.
O encerramento do festival, no dia 6, será marcado por uma maratona musical no Espaço Social JCA. Entre as atrações estão artistas locais como Automóveis, Tajmahal e The Boz, além de nomes conhecidos da cena do município, como Netto Lima, Sandrinha Eletrizante e Melque do Marco.
A anfitriã Los Pelicanos sobe ao palco com participação especial do rapper Garça Negra, misturando rock e rap, enquanto Manoel Cordeiro apresenta-se com sua banda Sonora Amazônia, prometendo clássicos da guitarrada e da lambada. O encerramento ficará por conta da DJ Jamilão Perturbação, também de Capitão Poço. “Capitão Poço é uma cidade muito especial, com grandes artistas. O Laranja Mecânica tem uma importância cultural no Nordeste do Pará. Eu adoro ver a cena se movimentando e dialogar com os jovens artistas”, destaca Manoel Cordeiro.
Formação e intercâmbio cultural
Além dos shows, a programação se dedica à formação artística e ao debate cultural. Entre as atividades, estão palestras sobre salvaguarda do patrimônio cultural, gerenciamento de carreira musical, plataformas digitais e direitos autorais. Manoel Cordeiro também participa desse eixo, conduzindo uma conversa sobre o manifesto “MPB feita na Amazônia”, em que defende a valorização da produção regional.
