Começa amanhã, 31, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará (Facom-UFPA) o ciclo de debates sobre a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, ou Conferência das Partes, a COP 30, que acontecerá em novembro, em Belém do Pará. Serão ao todo cinco encontros presenciais que abordarão os mais diferentes pontos da realização da COP em Belém, desde questões relacionadas à comunicação popular, à economia, cultura e urbanização da cidade. A iniciativa é da professora doutora Regina Lima, responsável por ministrar a disciplina “Núcleo de Redação Integrada” para as turmas de Jornalismo da Facom-UFPA e que também resolveu abrir as sessões para participação do público externo.

Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
O primeiro encontro acontece nesta sexta-feira, 31, às 9h, no auditório do Instituto de Letras e Comunicação da UFPA. O bate-papo será sobre “Comunicação Popular e Ativismo” e receberá como convidados o comunicador e fundador do Tapajós de Fato, Marcos Pedroso e o ativista, idealizador e co-fundador do Gueto Hub e COP das Baixadas, Jean Ferreira. Para Marcos Pedroso, a realização de debates como o que acontecerá na UFPA é fundamental “porque a COP 30 não pode ser só um grande evento, ela precisa ter um impacto real na vida das pessoas que vivem na Amazônia. Estamos falando de um momento em que o mundo vai olhar para Belém, mas isso não pode acontecer de forma desconectada da realidade amazônica. Se a gente não fortalecer esses espaços de debate agora, corre o risco da COP30 ser um evento vazio, sem deixar um legado concreto para quem realmente está na linha de frente da luta socioambiental. Então, trazer esse tema para a UFPA, envolvendo estudantes, pesquisadores e lideranças populares, é uma forma de garantir que esse debate continue vivo e que a Amazônia seja protagonista de sua própria história”.
No dia 07 de fevereiro quem participa do debate é a educadora e mediadora cultural, Raquel Ferreira, para discutir questões relacionadas às intervenções urbanas e o turismo predatório na Amazônia. “Apesar das atenções estarem voltadas para a comercialização de pacotes turísticos para quem virá participar da conferência, para minha empresa a grande questão é debater os impactos negativos que o turismo de massa e os impactos ambientais causados por atividades turísticas podem acarretar ao meio ambiente e ao planeta. É fundamental abordar seja em um espaço nos debates da conferência seja com os visitantes que estarão na cidade os desafios ambientais do setor, promover práticas sustentáveis e apoiar o desenvolvimento das comunidades locais”, comentou Raquel Ferreira, sócio-proprietária da agência de turismo Monotour.
As querelas políticas que giram em torno do tema central da COP, o meio ambiente, e de sua realização pela primeira vez no Brasil, será tema do encontro com a ativista climática e educadora popular, Suane Barreirinhas no dia 14 de fevereiro.
No dia seguinte, 15 de fevereiro, a empresária e idealizadora do Espaço VEM, Náhisla Macedo vão discutir os impactos da realização do evento na economia e nas demandas por produtos regionais e matérias-primas amazônicas como alimentos e outros produtos agroflorestais. Náhisla Macedo comentou sobre como atenção a região e sua cultura, trazidas pela realização da Conferência, influenciam não apenas no debate climático, mas, em outros setores como na economia. “Esse ano a nossa cidade está no centro das atenções globais devido a COP 30 e creio que além do propósito ambiental, a economia criativa traz visibilidade para nossa expressão cultural e desenvolvimento de negócios”.
Para encerrar o ciclo de debates, no dia 21 de fevereiro, o jornalista e diretor de comunicação do Festival Psica, Gustavo Aguiar e a turismóloga e ex-secretária de Cultura de Belém, Inês Silveira, abordarão os efeitos do evento no cenário cultural da cidade.
Para a professora Regina Lima, idealizadora dos encontros, atividades como esta são importantes para os alunos de comunicação, sobretudo neste ano da realização de grandes eventos. “Como estudantes de jornalismo, é importante saber mais, e o que significa a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Mais que isso, saber da importância de ser na região norte e especificamente na cidade de Belém”.
A professora também comentou sobre a iniciativa de abrir o ciclo de debates para o público externo, trazendo, inclusive, atores sociais de fora da universidade. “Trazer as pessoas que estão, em cada setor, discutindo o bônus e ônus da vinda da Conferência para cidade. Quais os impactos que a vinda do evento podem provocar na cidade de Belém”, aponta a comunicadora.