
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Janine Valente
A exposição “Impressões da Floresta” será aberta amanhã, dia 8 de novembro, às 11h, no Castelinho do Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi, em Belém, onde permanece em visitação até 30 de novembro. A mostra reúne obras produzidas pelas artistas Ana Leal e Laura Calhoun a partir de impressões botânicas feitas com folhas coletadas na região da Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó.
A instalação apresenta tecidos estampados com pigmentos naturais extraídos de plantas da floresta, resultado de um trabalho que combina experimentação artística e pesquisa sobre a biodiversidade amazônica. As impressões foram desenvolvidas ao longo de processos de convivência, coleta e troca de conhecimentos com moradores de comunidades ribeirinhas de Melgaço, no Pará.
O projeto teve início em 2020, em residência artística realizada no próprio Parque Zoobotânico, e, desde então, desenvolve oficinas, intercâmbios e atividades educativas em parceria com escolas e moradores da região. A nova etapa, conduzida entre maio e dezembro de 2025, ampliou a investigação sobre plantas tintórias e sobre o uso de técnicas de impressão botânica como forma de registro da relação entre a floresta e modos de vida locais.
A artista Ana Leal destaca que o trabalho nasceu do encontro entre pesquisa e convivência nas comunidades envolvidas. “Nessa troca um lindo e vibrante grupo se formou, interessado em aprender sobre as plantas tintórias, as cores da floresta, um pouco mais sobre a vegetação local e o modo como a vida se entrelaça entre humanos e não humanos. Reforçando mutuamente a importância de manter e preservar a floresta.”
As oficinas realizadas no processo envolveram crianças, jovens e adultos das comunidades da Pedreira, Laranjal e São Sebastião de Caxiuanã. Para Laura Calhoun, o aprendizado foi construído coletivamente. “Foram dias de coletas, conversas, experimentações e descobertas. A cada folha revelada, um novo aprendizado. O desejo de continuar as práticas nas escolas e desenvolver produtos junto às mulheres locais foi um retorno espontâneo e inspirador.”
A abertura da exposição acontece na mesma semana em que Belém sedia debates internacionais sobre clima, o que reforça a reflexão proposta pelas artistas sobre a preservação ambiental e a interdependência entre floresta e sociedade.
