
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Miguel Chikaoka
A exposição “Tó Teixeira – Mergulho na Vida e Obra” abre nesta quinta-feira, 03, às 19h, no Museu da Imagem e do Som do Pará (MIS-Pa), em Belém. A mostra retrata o legado de Tó Teixeira, um dos grandes nomes da música paraense. Selecionado pelo Programa Rouanet Norte, a mostra propõe uma imersão na trajetória do compositor, violonista e professor autodidata, trazendo à tona sua influência na formação musical do estado e sua resistência como artista negro na cena cultural amazônica. Após a abertura, nesta quinta, o projeto segue para visitação do dia 04 de abril até 30 de agosto.
A exposição ocupa diferentes salas do MIS-Pa, com montagem assinada por Nando Lima e Leno Martins e busca reconstruir espaços fundamentais da vida do músico, como sua casa no bairro do Umarizal, seu ateliê de encadernação na Travessa 13 de Maio e o palco do Theatro da Paz, onde foi homenageado em 1980.
Fotografias, objetos pessoais, documentos e instrumentos musicais raros, como um violão ressonador, um cavaquinho Giannini dos anos 1960/1970 e um contrabaixo de três cordas do século XVII, ajudam a reconstruir esses cenários e contar a história de Tó. Também serão expostas anotações, partituras e métodos de ensino musical utilizados pelo artista. A mostra também dialoga com a produção contemporânea reunindo Armando Sobral, Dias Junior, Bruno Rocha, Felipe Cortez e Petchó Silveira, convidados a criar obras inspiradas na obra de Tó Teixeira, reforçando a atualidade de seu legado.
A base documental da exposição vem da pesquisa de Salomão Habib, baseada no livro “Tó Teixeira – O Poeta do Violão” (2013). Para o violonista, a mostra é uma forma de dar visibilidade a um compositor cuja importância nem sempre foi devidamente reconhecida. “Tó escrevia suas canções em papel de pão, deixando um legado de resistência e poesia. Seu trabalho merece ser revisitado e celebrado”, conta Habib.Já Miguel Chikaoka, cujas fotografias capturam momentos íntimos do artista no início dos anos 1980, reafirma o caráter afetivo da exposição. “Tô me recebeu em sua casa, no seu ateliê e no teatro. Registrar esses momentos foi um privilégio e um aprendizado”, diz o fotógrafo.
Para além da exposição
A exposição também promoverá palestras, uma mostra de filmes e oficinas. No dia 6 de abril, o MIS-PA exibirá o documentário “Tó Violão Mestre”, que conta com Felipe Cortez, na direção. O curta foi produzido pela TV Cultura do Pará, no auditório Eneida de Moraes.
Para o curador Alexandre Sequeira, o projeto é uma forma de conectar gerações. “Rememorar é um ato de ressignificação e emancipação. Esperamos que esta exposição desperte reflexões sobre cultura, pertencimento e resistência”, afirma.