
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
“Ceci N’est pas un artiste: Segundo Ato”. Com este espetáculo, a Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA) traz, nos dias 23 e 24 de maio, questionamentos ao teatro da ETDUFPA. O espetáculo independente, protagonizado por estudantes da ETDUFPA, dá continuidade à trilogia cênica iniciada em 2024 e mergulha fundo nos dilemas e nas subjetividades de quem ousa se afirmar artista em tempos de incerteza. As apresentações ocorrem em duas sessões por dia, às 18h e às 20h. Os ingressos custam R$20 e estão à venda pelo WhatsApp.
Dirigida e idealizada por Xviccy, atriz não binária e artista da cena belenense, a segunda parte do projeto amplia o escopo da primeira montagem, que contava com apenas três atores, para um elenco de dez intérpretes. Adria Letícia, Adria Catarina, Bianca Brabo, Jessica Brito, Josué Pantoja, Julianne Stael, Ryan Pardauil, Safira Clausberg, Well Maciel e Xviccy formam um grupo diverso que traz bagagens da dança, música, palhaçaria, canto e cultura popular.
A pergunta que ecoa como mote central da obra, que convida o público a se despir de certezas e se lançar numa jornada de sensações, entre o belo e o grotesco, o cômico e o trágico, o íntimo e o coletivo. “O que acontece quando a loucura, o medo, a revolta e os sonhos se encontram naquele mundo de mentiras reais, no faz de conta que se faz e contam por aí?”, provoca a diretora.
O título do espetáculo, que em francês significa “Isto não é um artista”, remete diretamente à obra “A traição das imagens”, do pintor surrealista René Magritte, cuja imagem de um cachimbo com a legenda “Ceci n’est pas une pipe” propõe uma reflexão sobre a representação e a verdade. Aqui, a provocação se estende à arte e aos próprios artistas.
Então, o que significa, afinal, ser um artista? Quem define os limites entre o fazer artístico e o delírio? E o que há de humano por trás da máscara da criação? “O espetáculo trata sobre isso: sobre as regras da arte, sobre o que é considerado arte ou não, sobre as nossas angústias e desejos mais profundos. A gente dança, chora, sorri, mas tudo isso vem de um lugar sincero e, por vezes, dolorido. Criamos algo bonito, ou grotesco, mas sempre com verdade”, comenta Xviccy.
Para a atriz Bianca Brabo, que compõe o elenco e também é aluna da ETDUFPA, o processo criativo foi marcado pela liberdade e pela potência. “A palavra é potencializador. A vontade de sair do óbvio predominou, e acredito que todo o resultado será revelador sobre o processo. Estávamos cercades por mentes criativas que buscavam o novo”, afirma.
Bianca reforça que o espetáculo funciona como uma lente de aumento sobre a interioridade dos artistas. “Ele mexe com a nossa fragilidade e o nosso ego de uma forma transformadora. São histórias únicas, mas que falam diretamente com qualquer pessoa que se entende artista. É um trabalho de exposição, mas também de cura”.
Além das interpretações intensas e autorais, o espetáculo investe em elementos multimídia, música ao vivo, dança e cenas construídas com forte carga simbólica e sensorial. A proposta, segundo a direção, é criar uma imersão quase total na mente criativa, um “delírio poético” que não esconde as feridas, mas as transforma em arte. “O público pode esperar momentos mágicos, intensos e também desconcertantes. Permitimos que a máscara caia, que sejamos vistos em nossas vulnerabilidades. É um convite para sentir e também para repensar o lugar da arte e dos artistas em nosso mundo”, conclui Xviccy.
