
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
O curta-metragem paraense “Nas ondas do rádio” começa a ser gravado nesta quinta-feira, 03 de março, com locação na ilha de Caratateua (Distrito de Outeiro) e na UFPA. O curta, produzido pela Cine Diáspora, vai representar as influências da cultura do rádio na periferia de Belém e o protagonismo negro e LGBTQIAPN+.
Com um elenco encabeçado por Mariza Black e Dalilão, a obra propõe um mergulho na identidade sonora e estética da capital paraense. O enredo apresenta a história de Sombra (Mariza Black), uma radialista de 49 anos que nunca revelou sua verdadeira identidade ao público. Ao lançar um novo programa onde poderá ser ela mesma, Sombra se depara com Inã (Dadila Costa), ume jovem não-binárie de 19 anos, cantore de tecnomelody, que vê na rádio a chance de alcançar reconhecimento. A relação entre os dois, marcada por um humor afiado e por contrastes geracionais, explora o papel essencial do rádio na difusão da música e da cultura popular paraense.
Segundo Lu Peixe, que desenvolveu e foi premiada pelo roteiro na 5ª edição do “LAB Negras Narrativas da Associação de Profissionais Negros do Audiovisual” (APAN), o rádio é um dos principais meios de formação cultural na periferia de Belém. “As músicas e opiniões transmitidas por ondas sonoras influenciam a dinâmica da vida de várias pessoas. No Pará, a transmissão AM permitiu a incorporação da influência caribenha na nossa música. Hoje, a cultura popular do brega, tecnobrega e tecnomelody tem o rádio como alicerce para sua circulação”, afirma.
Além da narrativa principal, o filme busca valorizar a contribuição da comunidade LGBTQIAPN+ e afro-amazônica na música paraense. “Queremos mergulhar no subjetivo de mulheres negras, lésbicas e pessoas não-binárias para desconstruir estereótipos e afirmar o lugar dessas pessoas como agentes criativas da arte na região”, destaca Lu Peixe.
A identidade visual do filme será inspirada nas tradicionais aparelhagens de Belém, como Príncipe Negro e Ouro Negro, além de referências contemporâneas como o Búfalo do Marajó. As artes periféricas e ribeirinhas também serão elementos fundamentais na estética da produção.
As filmagens seguem até a próxima terça-feira, 08, utilizando cenários naturais de Outeiro e um estúdio de rádio especialmente montado na UFPA. Com previsão de ainda para este ano, o curta contará com oficinas de produção audiovisual para jovens e pré-lançamentos gratuitos em Outeiro e Icoaraci, distritos de Belém, uma forma de fortalecer o vínculo com as comunidades retratadas na tela.