
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Pierre Azevedo
O Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero, Feminismos e Interseccionalidade (Gepegefi), Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Educação Física, Esporte e Lazer (GEPEF), Cobra Produções e Espaço Cultural Coisas de Negro promovem neste sábado, 29 de março, a partir das 9h da manhã, no Espaço Cultural Coisas de Negro, no distrito de Icoaraci, em Belém, a vivência “Mulheres no Carimbó: a resistência de gênero na Cultura Popular Amazônica”, evento que propõe reflexões sobre o papel das mulheres no carimbó, aliando debate e prática em um dia de atividades intensas.
O carimbó, manifestação cultural profundamente enraizada na Amazônia, é historicamente marcado por trajetórias de resistência e preservação das identidades populares. No entanto, as mulheres que fazem parte dessa expressão tradicional ainda enfrentam desafios para ocupar e legitimar seus espaços dentro das rodas e dos palcos. É para debater este contexto que o evento reunirá mestras e expoentes do carimbó paraense como Nazaré do Ó, Ângela Maria, Neya das Maracas, Lu Bessa, Priscila Cobra, Cris Salgado, Elis Tarcila, Samara Cheetara e Sandy Reis.
“Muitas vezes, as mulheres são invisibilizadas, porque o Carimbó está inserido na sociedade e a sociedade é machista e esse machismo se reflete dentro do Carimbó. Então essa vivência de amanhã é pra gente mergulhar nesse conjunto de práticas da manifestação do Carimbó do ponto de vista das mestras e das mulheres que sofrem duplamente com as barreiras sobre elas: uma que é o machismo a sociedade e outra que é processo interno de desvalorização e invisibilização de suas atividades”, explica Priscila Cobra, multiartista e uma das produtoras do evento.
A programação do evento será dividida em dois momentos. Pela manhã, acontece a exibição de vídeos seguida de uma roda de conversa para discutir o conteúdo das produções. Já a tarde, as participantes terão uma experiência prática, explorando os instrumentos, os ritmos, a dança e compartilhando suas trajetórias, desafios e afetos no universo do carimbó.
Para o encerramento, as organizadoras prepararam a “Roda de Carimbó da Mulherada”, um momento aberto para o público interagir e vivenciar a força do movimento cultural protagonizado por mulheres. Entre as figuras de destaque do evento, está a Mestra Nazaré do Ó, compositora e uma das principais lideranças da luta pelo reconhecimento do carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
Também marcará presença a multiartista Priscila Cobra, premiada pela Sociedade Americana de Folclore por seu artigo sobre ancestralidade e dissidências de gênero no carimbó. E a Mestra Neya das Maracas, fundadora do grupo Jangada Encantada que trará sua experiência na fusão entre carimbó, batuque e a cultura de matriz africana e indígena. “Esse tipo de evento é importante porque promove esse sentimento de pertencimento, né? Da nossa cultura local, da nossa cultura amazônica. E o encontro dos saberes e fazeres com o conhecimento acadêmico, pode ampliar a visão, as possibilidades que cada meio tem de oferecer pro outro, entrelaçados”, destaca Priscila Cobra.