Portal Jambu

Por Kelvyn Gomes/Imagem: Reprodução Museu D’Água

O Museu D´ Água inaugura, nesta sexta-feira, 25, uma exposição itinerante e interativa, que vai promover escuta, pertencimento e reflexão sobre impacto socioambientais na Amazônia urbana, no bairro do Jurunas, na periferia de Belém. Ao longo de quatro semanas, o bairro será atravessado por uma exposição que transforma ruas, praças e quintais em cantinhos de memória.

A proposta, construída em diálogo direto com os moradores, transforma o território em um museu a céu aberto, onde objetos do cotidiano, relatos e imagens compõem uma cartografia sensível da vida no Jurunas. “É uma forma de lembrar que o bairro é feito de gente, de histórias, de luta e de beleza”, resume Ruth Ferreira, moradora, historiadora e uma das curadoras do projeto.

A abertura oficial ocorre no Gueto Hub, com uma vernissage que marca o início de um circuito que passará por escolas, casas e espaços simbólicos do bairro. Antes disso, na quinta-feira, 24, uma mobilização comunitária reúne voluntários para os preparativos finais da exposição.

Fruto da atuação coletiva de moradores, o circuito foi construído com a colaboração direta da comunidade. Jovens do Jurunas atuam como pesquisadores e mediadores, e cada parada da exposição, chamada de “cantinho da memória”, apresenta acervos formados por contribuições locais: fotografias de família, plantas, fantasias de carnaval, bolas de futebol e até jornais antigos.

Um dos destaques da exposição é o uso de telefones antigos, por meio dos quais o público pode ouvir trechos das entrevistas realizadas com os moradores, como se estivesse em uma conversa com a vizinhança. Totens com fotos, nomes e mini-biografias completam a imersão, aproximando os visitantes das trajetórias pessoais e coletivas do bairro.

Segundo a museóloga e curadora Tamires Pinheiro, também moradora do Jurunas, a proposta é “mostrar que o saber popular é também patrimônio” e que as soluções para os desafios urbanos precisam partir de quem vive a cidade todos os dias. Entre os temas abordados nas histórias, estão a luta por moradia, a espiritualidade afro-amazônica, as festas de bairro, a comunicação comunitária, as memórias das cheias e o racismo ambiental.

O Circuito Maré Lançante é uma intervenção política, o projeto constrói uma memória coletiva que denuncia desigualdades e propõe novos caminhos. “Essa escuta comunitária é também uma forma de resistência, de denúncia e de mobilização”, afirma Ruth Ferreira. 

Com apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS), o projeto reafirma o compromisso do Museu D’Água com a preservação da memória viva do chamado “Distrito D’Água”, território periférico da zona sul de Belém, às margens do Rio Guamá, historicamente marcado pela resistência e pela riqueza cultural.

A exposição é gratuita e aberta ao público. Para acompanhar as datas e locais das próximas paradas do circuito, basta seguir o perfil do Museu D’Água no Instagram. “É só chegar com o coração aberto e disposição para escutar”, convida Ruth.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Portal Jambu