
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
A força da música paraense ganha impulso este ano com a realização do “Cultura em Movimento – Circuito de Festivais do Nordeste Paraense”, iniciativa que reúne quatro importantes festivais independentes da região. Com entrada gratuita, o circuito percorre os municípios de Primavera, Capitão Poço, Capanema e Santarém Novo, de julho a dezembro, valorizando a produção musical local e promovendo inclusão, intercâmbio e formação cultural.
A proposta inédita busca dar visibilidade à diversidade sonora das regiões de integração do Rio Capim e do Rio Caeté, apoiando a cadeia produtiva da música e contribuindo para o fortalecimento de festivais que, há mais de 30 anos, resistem com criatividade e protagonismo cultural. O circuito é patrocinado por meio do Programa Rouanet Norte, do Ministério da Cultura (MinC).
Além de artistas locais, o público poderá assistir aos shows de nomes consagrados da música amazônica como Manoel Cordeiro, Layse e a Banda Na Cuíra, que se apresentam em diferentes etapas do circuito. Cada festival também contará com atividades formativas, como rodas de conversa e palestras sobre temas como plataformas digitais, direitos autorais e salvaguarda do patrimônio imaterial. “O Circuito reaviva o legado de bandas e grupos que criaram eventos independentes para apresentar sua produção autoral e atender à demanda de um público que sempre existiu, mas nunca teve pleno acesso”, afirma Geovane Maximo, diretor-geral do projeto. Ele compara o circuito a um rio que se forma na floresta a partir de pequenos afluentes: “Os festivais do interior são essa nascente que alimenta a cultura paraense”.
Shows e formação cultural
O mestre da guitarrada Manoel Cordeiro se apresenta nos festivais Laranja Mecânica, Rio Ouricuri e FestRimbó com o show “Música Popular Brasileira feita na Amazônia”. “Quero que o carimbó, o marabaixo e o batuque sejam reconhecidos como parte essencial da cultura brasileira”, afirma.
A Banda Na Cuíra, com sua mistura de guitarrada, xote e retumbão, vai participar de todas as edições do circuito. “A gente quer se conectar com o interior do Pará, que é fonte de referência pra gente”, diz o guitarrista Danilo Rosa.
As atividades formativas terão foco em temas como gerenciamento de carreira, uso de plataformas digitais, direitos autorais via ECAD e música como patrimônio cultural amazônico. Serão momentos de troca entre artistas, produtores e público, ampliando os impactos do circuito para além dos palcos.
Os Festivais
11º Festival Eco Rock
10 a 12 de julho – Primavera
Organizado pelo Coletivo Mambembe desde 2009, o festival alia música e consciência ambiental com ações como limpeza de rios, plantio de mudas e trilhas ecológicas. Com raízes no rock autoral, hoje reúne gêneros como hip hop, carimbó, tecnomelody e música eletrônica. Layse, uma das atrações, promete emocionar com seu repertório de brega, bolero e tecnobrega: “São músicas que batem no coração e despertam a memória afetiva”.
11º Festival Laranja Mecânica
4 a 6 de setembro – Capitão Poço
Criado em 2011, o festival se consolidou como referência para a juventude da cena alternativa do nordeste paraense. Reunirá bandas, DJs, exposições e outras expressões artísticas em um espaço de celebração da cultura e criatividade.
7º Festival Rio Ouricuri
4 a 6 de dezembro – Capanema
Inspirado no rio que atravessa a cidade, o festival nasceu em 2017 com foco em sustentabilidade e valorização da música local. Com programação plural e gratuita, destaca expressões culturais tradicionais e contemporâneas, conectando gerações.
14º FestRimbó
18 a 20 de novembro – Santarém Novo
Criado pela Irmandade de Carimbó de São Benedito, o FestRimbó volta ao calendário após oito anos de pausa. Reconhecido por fortalecer a cultura do carimbó, o festival foi palco, em 2005, da campanha nacional que resultou no reconhecimento do gênero como patrimônio cultural do Brasil.
