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Por Kelvyn Gomess/Imagem: divulgação

Neste sábado, 11, às 17h, na Praça Dom Pedro II, o grupo cultural Batuque da Lua Cheia será a atração da tarde,na programação da Feira do Artesanato de Miriti, um dos espaços mais simbólicos do Círio de Nazaré. O grupo traz ao público a musicalidade vibrante e ancestral do carimbó raiz, marcada pelo som dos tambores, das maracas e das vozes que ecoam o orgulho da cultura abaetetubense.

Reconhecida como “Capital Mundial do Brinquedo de Miriti”, Abaetetuba é berço de tradições que atravessam gerações e ganham nova vida a cada Círio, quando os brinquedos de miriti transformam as ruas e feiras em um espetáculo de cor e devoção. É nesse cenário que o Batuque da Lua Cheia chega para reafirmar a potência criativa de sua cidade, unindo arte, ancestralidade e comunidade em uma apresentação que promete emocionar o público.

Em meio às cores e esculturas da feira, o Batuque da Lua Cheia apresentará um carimbó pau e corda, com figurinos, instrumentos e cenografia assinados pelo artista Gordinho Peixoto, mestre do brinquedo de miriti, abatazeiro e fabricante de imagens religiosas e instrumentos. Seu trabalho, herdado da tradição familiar, representa a continuidade do fazer artístico de Abaetetuba – agora também traduzido em música e performance.

O grupo, criado a partir de rodas de carimbó realizadas nas noites de luar em espaços públicos da cidade, nasceu do desejo coletivo de celebrar a cultura popular e fortalecer os laços comunitários. Hoje, reconhecido como ponto de cultura, o Batuque da Lua Cheia realiza oficinas de maraca, tambor, dança e adereços, além de atuar em projetos de educação, economia criativa e valorização dos saberes ancestrais. “Nosso batuque é uma forma de resistência e de amor. Ele nasce da terra, das águas e das histórias do povo de Abaetetuba. É o som da nossa identidade, do que somos e do que queremos preservar”, resume o fundador e mestre Juan Paladino, banjista, vocalista e percussionista do grupo.

O show também contará com a presença de figuras marcantes da cultura abaetetubense, como Mestre Toti, quilombola da comunidade Arapapu e referência viva do carimbó na região. Aos 81 anos, o mestre segue ativo, compondo e cantando as histórias do cotidiano ribeirinho e dos encantados das matas e das águas. Entre suas músicas mais conhecidas está “A Viagem do Quilombola”.

A continuidade do legado vem sendo construída por seu neto, Fabrício Toti, jovem artista de 15 anos que aprendeu o toque do curimbó ainda criança e hoje já se apresenta ao lado dos grandes mestres.Outro destaque é Txai Raul, que une a musicalidade do carimbó à espiritualidade da floresta. Suas maracas e pesquisas sobre as “Árvores do Carimbó” conectam arte e botânica, propondo um diálogo entre cultura, natureza e sustentabilidade.

A apresentação terá ainda a participação especial do maestro e arte-educador André Gesiel, que adiciona arranjos de sopro e novas camadas sonoras à performance do grupo.

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