
Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação
Com artefatos históricos, fotografias e aulas imersivas, a exposição convida alunos, professores e comunidade a mergulharem na identidade alimentar da Amazônia Atlântica.
A riqueza da biodiversidade paraense — traduzida no tucupi, no peixe de rio e na força da mandioca — deixa os pratos para ganhar as salas de aula. A “Mostra Etnográfica: itinerâncias dos sabores e saberes da cultura alimentar amazônica” está percorrendo escolas públicas, e neste mês de março com foco especial no município de Ananindeua, transformando o ambiente escolar em um espaço de imersão cultural e resistência ancestral.
Após temporada em Icoaraci, a mostra desembarca em Ananindeua no dia 09 de março, na EEEF Celina Del Teto. A itinerância segue impactando a comunidade local nas escolas EEFM Oneide Sousa Tavares (16 a 20 de março) e EEEM Prof. Antônio Gondim Lins (23 a 27 de março).
O “Sentir” e o “Aprender”
Muito além de uma contemplação visual, a mostra é uma experiência sensorial e pedagógica. O público é convidado a visitar uma representação fiel de uma casa de farinha, com tipitis, fornos e gamelas, além de barcos e redes que narram o cotidiano das águas. Vinte fotografias inéditas completam a narrativa, revelando os rituais de comensalidade da Amazônia Atlântica.
“A ideia é amazonizar o nosso olhar. Queremos trazer para a sala de aula histórias, memórias e afetos que falam do dia a dia desses estudantes, combatendo a padronização dos costumes e valorizando a ancestralidade da nossa farinha e do nosso modo de comer”, afirma o antropólogo e curador do projeto, Prof. Dr. Miguel Picanço.
Impacto educativo e comunitário
O projeto não se limita aos alunos; ele abraça pais, líderes comunitários e todo o corpo docente. Como parte da proposta interdisciplinar, as escolas participantes recebem o livro oficial do projeto e participam de uma aula imersiva com degustação. É o momento em que a teoria se torna sabor: entre uma prova de tucupi e farinha de tapioca, os visitantes aprendem sobre os processos tradicionais de colheita e produção cabocla.
Sobre o projeto
Aprovada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB 2025) e coordenada no estado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult Pará), a iniciativa reafirma a importância da cultura como elo essencial no aprendizado escolar, promovendo o sentimento de pertencimento e a valorização do patrimônio imaterial paraense.
