
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Julia Rodrigues
O Solar Festival, evento que celebra a cultura brasileira em Zurique, na Suíça, terá, pela primeira vez, uma edição comandada por duas artistas paraenses, a cantora e produtora Aíla, e Roberta Carvalho, artista visual e curadora. De 24 a 28 de julho, a cidade suíça recebe uma programação inteiramente dedicada à Amazônia contemporânea, reunindo música, arte digital, realidade virtual e debates sobre ancestralidade e futuro.
Com o tema “Arte e Cultura como Catalisadores para uma Consciência Transformadora”, o festival convida o público europeu a mergulhar na diversidade criativa e política da região amazônica, e destaca a floresta não apenas como bioma ameaçado, mas como território de pensamento, inovação e resistência.
A iniciativa dá visibilidade internacional a projetos como o MANA, festival das mulheres da música da Amazônia, e o Amazônia Mapping, ambos idealizados e conduzidos por Aíla e Roberta e que agora ganham versões internacionais no Solar Festival. A artista apresenta no palco do tradicional Moods, um dos principais espaços culturais de Zurique, um show que mistura o pop amazônico com música eletrônica, passando pelo carimbó, lambada, brega e zouk. “Da Terra Firme pro mundo. Fico muito emocionada de vir de onde eu vim, e poder levar hoje a música do nosso Pará para outras fronteiras e ouvintes”, celebra Aíla.
A experiência visual é assinada por Roberta Carvalho, que também apresenta obras de videomapping, como a instalação Symbiosis, projetada na fachada do Schiffbauplatz e na Ilha Saffa. Roberta ministra ainda uma oficina na prestigiada Universidade das Artes de Zurique (ZHdK), reforçando a presença amazônica em circuitos acadêmicos e artísticos da Europa. “Raramente a Amazônia é vista como produtora de pensamento contemporâneo. Com essa programação, queremos marcar um território simbólico: o da Amazônia como centro de criação, de onde brotam vozes, imagens e ideias capazes de impactar o mundo”, afirma.
O festival promove ainda a mostra “Amazônia Mapping VR”, com experiências sensoriais em realidade virtual que ampliam a noção de presença e imersão na floresta. Assinadas por artistas como Rafael Bqueer, Jean Petra, DJ Méury, Bianca Turner e PV Dias, as obras exploram linguagens visuais e sonoras que atualizam a estética amazônica com alta tecnologia.
A programação do Solar Festival 2025 também conta com shows do grupo indígena Kayatibu (povo Huni Kuin), performance da artista indígena travesti Uýra Sodoma (etnia Munduruku), filmes da cineasta Keila Sankofa (Amazonas) e rodas de conversa com lideranças e artistas sobre o conceito de “florestania”, propondo a Amazônia como lugar de futuro, de criação e de reexistência.
