
Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação
Manifestação cultural acontece em 31 de outubro, no Guamá, em Belém, com histórias de assombração, literatura amazônica e debate socioambiental
O bairro do Guamá, em Belém, recebe neste sábado (31) a 8ª edição do Cortejo Visagento, com o tema “Quem tem medo do rio Tucunduba?”. A concentração será às 18h, no Cemitério Santa Izabel, na avenida José Bonifácio. Realizado pelo Espaço Cultural Nossa Biblioteca (ECNB), o evento reúne moradores, artistas e estudantes em uma caminhada que associa narrativas de visagens amazônicas à valorização da memória comunitária e à defesa dos rios.
Nesta edição, os organizadores propõem uma reflexão sobre os impactos da urbanização no Tucunduba. Historicamente utilizado para o transporte de pessoas e mercadorias vindas das ilhas, o rio integra a formação do bairro e as lembranças de seus moradores. A poluição, os aterramentos e as intervenções urbanas, porém, alteraram sua paisagem e contribuíram para que passasse a ser identificado como canal.
O cortejo busca questionar essa percepção e discutir a relação entre os alagamentos, a ocupação desordenada e a redução do espaço natural dos cursos d’água. Segundo a organização, o tema também chama a atenção para os desafios socioambientais que permanecem na cidade após a realização da COP30.
Durante a caminhada, será distribuído um material de pesquisa sobre a história das ruas do percurso e as questões ambientais do território. Na Praça Benedito Monteiro, haverá exposição de trabalhos artísticos, venda de livros e concurso de fantasias. Entre as produções anunciadas estão obras de Xavier dos Passos e Preto Michel, além do Naipeado, baralho amazônico criado por artistas paraenses.
Cultura popular e memória do bairro
Criado em 2016, o Cortejo Visagento surgiu da articulação entre ações de leitura, contação de histórias e valorização do patrimônio histórico do Guamá. A iniciativa buscava fortalecer as narrativas amazônicas entre os jovens, especialmente estudantes de escolas públicas do turno da noite, diante da crescente presença do Halloween no calendário cultural.
“O Cortejo Visagento nasce a partir de múltiplas inspirações. Uma delas foi a vontade de fazer uma rua de leitura à noite; outra, uma reação à presença do Halloween, que estava se tornando mais importante do que a nossa própria mitologia. Queríamos fazer do evento uma forma de resistência da cultura popular amazônida e valorizar o patrimônio do bairro”, explica Mineia Silva, presidente do Espaço Cultural Nossa Biblioteca.
Ao longo das edições, o projeto ampliou a participação de escritores, contadores de histórias e outros fazedores de cultura locais. O cemitério, escolhido como ponto de partida, integra a proposta de reconhecer os espaços do Guamá como lugares de memória e pertencimento.
“Hoje nós estamos trabalhando isso como um instrumento para mostrar o Guamá com uma outra face, uma face diferente”, afirma Mineia.
Nos últimos anos, a manifestação também passou a abordar temas como ilhas de calor, desmatamento, secas dos rios e qualidade do ar. O diálogo com professores, estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA), movimentos sociais e espaços culturais aproximou o imaginário das assombrações dos problemas ambientais enfrentados pela população.
Conversa e oficinas integram a programação
A programação preparatória incluiu, em 27 de outubro, a Conversa Visagenta com Ariane Caldas, cientista da religião pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), neuropsicopedagoga, arte-educadora, mestra da cultura popular e contadora de histórias. Sua pesquisa sobre palacetes assombrados de Belém articula tradição oral, memória coletiva e patrimônio histórico.
Nesta quarta-feira (28), às 15h, o Espaço Cultural Nossa Biblioteca recebe as Oficinas Visagentas. Uritã conduz a criação de máscaras, enquanto RomaRio e Lou orientam a produção de figurinos, com incentivo à criatividade e ao reaproveitamento de materiais. Os participantes são convidados a preparar suas próprias personagens para acompanhar o cortejo.
Serviço
8ª edição do Cortejo Visagento: “Quem tem medo do rio Tucunduba?”
Oficinas Visagentas
Data: quarta-feira, 28 de outubro de 2026.
Horário: 15h.
Local: Espaço Cultural Nossa Biblioteca, travessa 25 de Junho, 214, Guamá, Belém.
Atividades: oficina de máscaras com Uritã e oficina de figurinos com RomaRio e Lou.
Cortejo Visagento
Data: sábado, 31 de outubro de 2026.
Concentração: às 18h.
Ponto de encontro: Cemitério Santa Izabel, avenida José Bonifácio, Guamá, Belém.
Percurso: ruas do bairro do Guamá.
Programação complementar: exposição de trabalhos artísticos, venda de livros e concurso de fantasias na Praça Benedito Monteiro.
Conversa Visagenta com Ariane Caldas
Data: realizada em 27 de outubro de 2026, às 17h.
Local: Espaço Cultural Nossa Biblioteca, travessa 25 de Junho, 214, Guamá, Belém.
Realização: Espaço Cultural Nossa Biblioteca (ECNB).
