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Por Regina Lima/ Imagem: Miguel Chikaoka

Com entrada gratuita, exposição abre em 29 de outubro e reúne instalações, obras coletivas e atividades formativas até fevereiro de 2027

O artista Miguel Chikaoka inaugura a exposição “Fluxos” em 29 de outubro, às 19h, no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém. Com visitação gratuita de 30 de outubro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027, a mostra reúne instalações, experimentações visuais e obras coletivas que exploram as relações entre luz, natureza, imagem e aprendizagem.

Sob curadoria de Alexandre Sequeira, a exposição aproxima pesquisas desenvolvidas pelo artista ao longo de décadas. Fotografias, projeções, tecidos translúcidos, sombras, sementes, água e pigmentos naturais compõem ambientes que convidam o visitante a experimentar diferentes formas de perceber as imagens e o espaço.

A proposta dialoga com a Pedagogia dos Fluxos, abordagem que Chikaoka desenvolve em suas práticas artísticas e educativas. Nela, a observação, os sentidos e a experimentação participam da construção do conhecimento. “Trata-se de exercitar a percepção da luz além da matéria, como fluxo que permeia o existir cósmico”, afirma o artista.

Para a gerente do Centro Cultural, Ana Amélia Fadul, a mostra amplia a compreensão da fotografia ao aproximá-la de uma experiência sensorial, na qual luz, matéria e tempo se relacionam.

Participação do público

Durante todo o período de visitação, três propostas interativas permitem que os visitantes experimentem procedimentos artísticos e participem de criações coletivas.

Em “Sementes do Berçário de Floresta”, o público poderá manusear sementes reunidas nos meses anteriores à montagem e explorar suas formas, histórias e possibilidades de existência. Já na “Sementeira do Berçário de Floresta”, cada participante será convidado a registrar uma ideia em uma placa de identificação e depositá-la simbolicamente em um viveiro com terra e ouriços de castanha.

Na atividade “Rios Voadores”, fotografias de nuvens dos céus amazônicos servirão de ponto de partida para desenhos e pinturas com pigmentos naturais. A proposta convida os visitantes a identificar formas de animais nas imagens e incorporar suas criações a um mural coletivo.

As experiências estarão disponíveis no horário de funcionamento das galerias, com participação conforme o fluxo de visitantes.

Criação nos quintais amazônicos

Parte das obras expostas resulta do projeto “Quintais e Sítios: Berçários de Floresta, Memórias e Saberes”, realizado antes da abertura da mostra. A iniciativa levou experiências artísticas a espaços de cultivo e convivência na Amazônia paraense, reunindo anfitriões e convidados em processos de criação compartilhada.

Após uma ação-piloto na Kamara Kó Galeria, em Belém, o projeto percorreu quintais em Colares, na Ilha do Capim, em Joanes, no Marajó, e nos bairros da Cidade Velha e Pratinha, na capital paraense.

Os encontros exploraram pigmentos extraídos de folhas, flores e cascas, além de técnicas japonesas como o tataki-zomê, impressão botânica por percussão, e o gyotaku, impressão de peixes. Os trabalhos incorporam memórias, conhecimentos e relações afetivas dos participantes com a natureza.

Oficinas, palestras e visitas mediadas

A programação formativa reúne atividades gratuitas com Miguel Chikaoka, Valéria Scornaienchi, Marisa Mokarzel, Alexandre Sequeira e Nando Lima. Estão previstas oficinas, palestras, visitas mediadas para estudantes e ações com acessibilidade.

Valéria Scornaienchi abre a agenda com a oficina “A escuta das sementes: Encontro pra Criar”, em 31 de outubro, e a palestra “A escuta do mundo: Arte e vida em processos criativos”, em 1º de novembro. As inscrições para os dois encontros já estão abertas, com vagas limitadas, por meio de formulário divulgado nos perfis oficiais da exposição e da Kamara Kó Galeria no Instagram.

Nos meses seguintes, a programação aborda pesquisas sobre a trajetória de Chikaoka, o processo curatorial da mostra, a construção expográfica e as relações entre câmera obscura, luz e aprendizagem. As inscrições serão divulgadas em períodos específicos pelos mesmos canais.

Trajetória do artista

Nascido em Registro, no interior de São Paulo, Miguel Chikaoka vive em Belém desde o início dos anos 1980. Em 1984, participou da criação da Associação Fotoativa, referência em experimentação fotográfica e na formação de artistas e fotógrafos.

Sua produção integra acervos como os do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte do Rio, Coleção Pirelli/MASP, Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas e Museu da UFPA. Entre os reconhecimentos recebidos estão o Prêmio Brasil Fotografia e a Ordem do Mérito Cultural, em 2012, e o Prêmio Marcantonio Vilaça, em 2015.

“Fluxos” tem coordenação geral de Makiko Akao, curadoria de Alexandre Sequeira e produção executiva de Nando Lima. A realização conta com patrocínio do Banco da Amazônia e do Governo Federal, por meio do Edital de Ocupação do Centro Cultural Banco da Amazônia.

Serviço

Exposição: “Fluxos”, de Miguel Chikaoka
Abertura: 29 de outubro de 2026, às 19h
Visitação: de 30 de outubro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027
Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém (PA)
Entrada: gratuita

Programação formativa

31 de outubro de 2026, das 10h às 13h
Oficina “A escuta das sementes: Encontro pra Criar”, com Valéria Scornaienchi. Práticas de criação coletiva a partir de memórias, histórias e relações afetivas com as sementes.

1º de novembro de 2026, das 10h às 12h
Palestra “A escuta do mundo: Arte e vida em processos criativos”, com Valéria Scornaienchi. Reflexões sobre práticas artísticas e formas de convivência com a natureza.

18 de novembro de 2026
Visita mediada à exposição. Horário não informado.

28 de novembro de 2026, das 10h às 12h
Palestra “Navegante em Fluxos: desafios e diferenças entre duas pesquisas sobre Miguel Chikaoka”, com Marisa Mokarzel. Encontro dedicado às investigações da pesquisadora e às diferentes perspectivas de leitura da obra do artista.

9 de dezembro de 2026
Visita mediada à exposição. Horário não informado.

12 de dezembro de 2026, das 10h às 12h
Palestra “Processo Curatorial da Exposição Fluxos”, com Alexandre Sequeira e Nando Lima. Conversa sobre a concepção, a curadoria e a organização expográfica da mostra.

20 de janeiro de 2027
Visita mediada à exposição. Horário não informado.

23 e 24 de janeiro de 2027, das 10h às 13h
Oficina “Luz, Rizoma e Percurso: Construção Expográfica como Experiência”, com Nando Lima. Voltada a estudantes e interessados em artes visuais, arquitetura, museologia, curadoria e montagem de exposições.

31 de janeiro de 2027
Oficina com Miguel Chikaoka sobre câmera obscura, relações entre luz e imagem e práticas de ensino-aprendizagem. Horário não informado.

Inscrições: todas as atividades formativas são gratuitas, com inscrições divulgadas em períodos específicos nos perfis oficiais da exposição Fluxos e da Kamara Kó Galeria no Instagram. Para as atividades de 31 de outubro e 1º de novembro, as inscrições estão abertas desde 23 de outubro, por formulário disponível no link da bio dos perfis. As vagas são limitadas.

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