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Por Regina Lima/Imagem: Amanamidiia

Criada em Belém, exposição estreia no Porto em 29 de outubro e reúne pinturas, fotografias, vídeos e música em ambientes imersivos, com direção artística de Roberta Carvalho e Aíla

A exposição Amazonia Immersive Art abre ao público em 29 de outubro, na Casa das Máquinas, no Porto, em Portugal. Criada em Belém, a mostra realiza sua primeira itinerância internacional e reúne arte contemporânea, saberes ancestrais e tecnologia para apresentar a Amazônia a partir das narrativas de seus próprios artistas. A visitação segue até 30 de abril de 2027.

À frente do projeto estão as artistas paraenses Roberta Carvalho, responsável pela direção artística e curadoria de artes visuais, e Aíla, que assina a direção artística e musical. Na exposição, pinturas, fotografias e vídeos ganham escala monumental em ambientes de projeção que envolvem o público com imagens e sons.

A chegada a Portugal ocorre a convite da Casa das Máquinas e propõe uma reflexão sobre quem conta as histórias da região. Durante séculos, viajantes e colonizadores europeus produziram imagens e relatos que apresentavam a Amazônia como um território exótico e desconhecido. Agora, a travessia leva ao público europeu perspectivas de quem vive, cria e pensa esses territórios.

“Agora, são os próprios artistas amazônidas que chegam ao Porto com suas imagens, linguagens e narrativas, propondo um novo encontro entre territórios que compartilham uma longa história”, afirma Roberta Carvalho.
Percurso por três salas
A exposição no Porto está organizada em três salas. A primeira recebe Refloresta, de Roberta Carvalho, com imagens que entrelaçam árvores, rostos e outras presenças da floresta. A composição questiona a separação entre natureza e cultura e evidencia as relações entre pessoas, territórios e modos de vida.

A segunda sala reúne projeções imersivas de obras de sete artistas e coletivos: MAHKU, formado por artistas indígenas do povo Huni Kuin; a fotógrafa paraense Elza Lima; a artista visual maranhense Gê Viana; Hal Wildson; a artista indígena peruana Olinda Silvano, do povo Shipibo-Konibo; o artista indígena amazonense Paulo Desana; e o paraense PV Dias. As projeções aproximam diferentes linguagens, gerações e experiências amazônicas.

Dedicada à ancestralidade e à escuta, a terceira sala apresenta trabalhos do escritor e pensador indígena Ailton Krenak; da artista visual e cineasta negra amazonense Keila Sankofa; do artista e escritor indígena Jaider Esbell, do povo Makuxi, falecido em 2021; e do artista marajoara e mestre ceramista Ronaldo Guedes. O ambiente inclui ainda um cântico em língua tikuna, interpretado por Djuena Tikuna com Aíla.
Cantos e ritmos amazônicos
A trilha sonora, assinada pelo artista e produtor musical indígena amazonense Nelson D, foi criada em diálogo com as projeções, acompanhando os movimentos das imagens. Cantos tradicionais, diferentes línguas e experimentações contemporâneas compõem uma paisagem sonora ligada às histórias e aos conhecimentos de diversos territórios amazônicos.

Participam da trilha Aíla, Cashi Silva, Agojy de Exu, Cláudio Lavôr, Djuena Tikuna, Ibã Sales Huni Kuin e Olinda Silvano. A seleção reúne também o trabalho de Mestre Dikinho, referência do carimbó marajoara já falecido, e do grupo Tambores do Pacoval, de Soure, no Marajó.

“Entre expressões ancestrais e criações contemporâneas, a trilha afirma a pluralidade das Amazônias e sua potência de reinvenção, fazendo do som também um território de pertencimento, encontro e resistência”, destaca Aíla.
De Belém para o público europeu
Amazônia Imersiva teve sua primeira edição na Casa das Onze Janelas, em Belém, onde reuniu cerca de 30 artistas e coletivos do Brasil e do exterior. A mostra recebeu mais de 30 mil visitantes, com uma programação que incluiu projeções em 360 graus, instalações, apresentações musicais e experiências audiovisuais.

Na edição portuguesa, os recursos digitais de imagem e som dialogam com tecnologias ancestrais, expressas nas relações dos povos da floresta com a natureza, nas formas de organização coletiva e na transmissão de saberes. O percurso convida o público a conhecer diferentes perspectivas sobre memória, identidade, território e ancestralidade.
Serviço
Exposição: Amazonia Immersive Art
Local: Casa das Máquinas, Porto, Portugal
Abertura ao público: 29 de outubro de 2026
Em cartaz até: 30 de abril de 2027
Horários, ingressos e outras informações: consultar o site da Casa das Máquinas.

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