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Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação

Em fase final de filmagens, “Pulsar da Floresta: A Ciência do Sairé” acompanha personagens, ritos e transformações da manifestação cultural em Alter do Chão

O longa-metragem documental “Pulsar da Floresta: A Ciência do Sairé” chegou à etapa final de filmagens em Alter do Chão, no oeste do Pará. A produção acompanha a manifestação cultural para além dos dias de festa, aproximando-se das pessoas, memórias, práticas espirituais, cantos e saberes que sustentam sua continuidade.

Com uma abordagem autoral e sensorial, o documentário propõe olhar para o Sairé “de dentro para fora”. A manifestação é apresentada como um organismo vivo, atravessado pela memória, oralidade, ciência da floresta, fé, trabalho, território, espetáculo e futuro do povo Borari.

As gravações começaram antes da programação oficial. Durante uma primeira imersão, a equipe percorreu casas, quintais, áreas de mata, rio, praça, igreja e Barracão, ouvindo pessoas que preservam diferentes dimensões dessa história. Na etapa realizada durante o Sairé, as câmeras acompanharam a circulação da comunidade, os mastros, as ladainhas, as procissões, a música e o Festival dos Botos.

Uma das figuras centrais do filme é Osmar Borari, liderança indígena, coordenador do Sairé e participante dos cânticos, ladainhas e práticas espirituais que integram o rito. Em seu depoimento, ele destaca a oralidade como elemento essencial para compreender uma história que nem sempre foi registrada nos livros.

“Eu aprendi essa oralidade do Sairé, eu aprendi o significado, eu aprendi o porquê de saber coisas que não se tem no livro”, afirma Osmar. Essa perspectiva orienta a linguagem do documentário, que não apresenta seus personagens apenas como fontes de informação, mas acompanha seus gestos, silêncios, deslocamentos e relações com os lugares onde a tradição acontece.

O Cacique Maduro Borari também integra a narrativa, abordando questões como território, ancestralidade, autoridade e transmissão de conhecimentos. Suas lembranças sobre a Alter do Chão de outros tempos ajudam o filme a observar como a vila, a comunidade e o próprio Sairé se transformaram ao longo das gerações.

A presença feminina atravessa diferentes camadas da produção. Entre as personagens estão a educadora indígena Maria da Conceição Lima de Sousa, Dona Dalva Vieira, a professora Maria Luciene e Flávia, mulheres relacionadas aos saberes tradicionais e à continuidade da celebração. Ao recordar a formação das novas gerações, Conceição ressalta que Osmar já foi seu aluno, revelando como o conhecimento circula e encontra novos guardiões.

O filme também acompanha representantes do Festival dos Botos e investiga a convivência entre rito e espetáculo. Barracão, casas, mata, ladainhas e símbolos religiosos aparecem em diálogo com a arena, as luzes, a criação artística, o turismo, o comércio e os grandes públicos. Em vez de apresentar essas dimensões como opostas, o documentário procura compreender como elas passaram a coexistir no Sairé contemporâneo.

“Pulsar da Floresta: A Ciência do Sairé” é uma coprodução de Nany Figueiredo e Farol Filmes, com direção de Arthur Santos, produção executiva de Wanda Corrêa e coordenação de produção de Nany Figueiredo. O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, no Pará, por meio do Edital de Chamamento Público nº 002/2025, voltado à criação de projetos culturais.

Ficha técnica

Direção: Arthur Santos
Produção executiva: Wanda Corrêa
Coordenação de produção: Nany Figueiredo
Produção local: Rose Matos
Direção de fotografia: Paulo Castro
Assistência de fotografia: Felipe Rocha
Maquinaria: Jeri Pamplona
Coprodução: Nany Figueiredo e Farol Filmes

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