
Por Regina Lima/Imagem: Divulgação
“Príncipe Negro – Uma Realeza Amazônica” reúne músicas inéditas, teatro, dança e tecnologia em apresentações de 17 a 20 de setembro, na CAIXA Cultural Belém
Depois de quase duas décadas de carreira, o cantor e compositor Jeff Moraes abre um novo ciclo artístico com o espetáculo “Príncipe Negro – Uma Realeza Amazônica”. A montagem será apresentada de 17 a 20 de setembro, sempre às 19h, no Teatro da CAIXA Cultural Belém.
Realizado por meio do Edital CAIXA Cultural 2026, o espetáculo reúne música, teatro, dança, recursos tecnológicos e uma dramaturgia dedicada à celebração da existência negra na Amazônia. No palco, Jeff Moraes propõe uma ideia de realeza construída longe das coroas e dos castelos coloniais. Em seu universo, o trono pode ser um curimbó, uma aparelhagem, uma casa de axé ou um microfone aberto.
A criação marca também a passagem simbólica do “Menino Preto” para o “Príncipe Negro”. Lançada há dez anos, a música “Menino Preto” denunciava o extermínio da juventude negra nas periferias de Belém. Embora essa violência permaneça atual, Jeff percebeu a necessidade de também contar as histórias dos meninos negros que vivem, sonham, criam, dançam e chegam à vida adulta.
“Esse show nasce quando eu começo a olhar para a minha criança. Como eu enxergo os sonhos que a minha criança tinha? Onde eu queria chegar quando estivesse na vida adulta, na vida artística? Comecei a escrever o show a partir dessas vivências”, explica o artista.
Realeza nos territórios negros amazônicos
Em “Príncipe Negro”, a noção de realeza surge dos territórios, símbolos e experiências que formaram a trajetória do cantor. O espetáculo reconhece espaços de resistência e criação como lugares de poder, pertencimento e afirmação da identidade negra amazônica.
“Para quem vive o carimbó, o curimbó sentado é um trono. Para o DJ de aparelhagem, o altar sonoro é um trono, é um lugar de realeza. Dentro de uma casa de axé, o espaço onde acontece a gira é um espaço de realeza. Na rua, um microfone aberto é um espaço de resistência, um espaço de realeza negra amazônica”, afirma Jeff.
A montagem conta com a participação de parceiros que acompanham o artista há vários anos. Viny Araújo assina a direção criativa, Maurício Franco é responsável pela cenografia, e a direção artística é compartilhada por Sandro Santarém e pelo próprio Jeff Moraes.
Novo universo artístico
Após encerrar o ciclo do álbum “Tambor de Beats”, lançado em 2022, Jeff Moraes aposta agora em uma criação pensada para ultrapassar o formato tradicional de um show musical. O teatro, onde o artista também iniciou sua formação, torna-se o espaço para articular iluminação, imagens, interpretação, dança, performance e música.
“Na caixa preta, você consegue brincar com luz, som, imagem, imersão, performance, teatro, balé e dança. Consegue levar as pessoas para o universo que quiser”, destaca.
O repertório reúne 13 músicas, oito delas inéditas. Três faixas integrarão “Tropicalaje”, novo EP do artista, produzido por Félix Robatto. As composições atravessam ritmos latino-caribenhos e sonoridades amazônicas, como o carimbó e o marabaixo, em diálogo com as experiências acumuladas por Jeff ao longo de sua trajetória.
“É a primeira vez que estou juntando tudo isso e criando, de fato, uma atmosfera, um universo. Estou criando um novo universo chamado ‘Príncipe Negro’”, resume.
Da denúncia à cantiga de vida
Entre as novas composições está “Cantiga de Erê”, concebida como contraponto à narrativa de “Menino Preto”. Enquanto a canção de 2016 nasceu como denúncia da violência contra a juventude negra, a nova obra reivindica o direito ao sonho, à alegria e ao futuro.
“‘Cantiga de Erê’ vem para ser um contraponto ao extermínio, para falar de sonho, de vida, dessa força que parte do tambor, mas que também pulsa dentro da gente”, explica Jeff.
Sem abandonar a memória dos que vieram antes nem as violências que ainda atingem a população negra, “Príncipe Negro” amplia esse campo de representação. O espetáculo transforma o palco em território de permanência, ancestralidade e imaginação.
“Esse show é uma forma de exaltar todos aqueles que vieram antes, os que estão até agora batendo nesse terreno para que a gente esteja aqui. Esse show fala de vida”, conclui o artista.
Serviço
Espetáculo: “Príncipe Negro – Uma Realeza Amazônica”
Artista: Jeff Moraes
Datas: 17, 18, 19 e 20 de setembro
Horário: 19h
Local: Teatro da CAIXA Cultural Belém
Realização: Edital CAIXA Cultural 2026
