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Por Regina LIma/ Imagem: André Wanderley

“Vital – O Musical dos Paralamas” estreia nesta sexta-feira (18), no Theatro da Paz, e reforça a presença da capital paraense no circuito das grandes produções brasileiras

O teatro musical brasileiro vive um período de expansão, impulsionado especialmente por espetáculos que levam aos palcos a trajetória de grandes nomes da música nacional. Nesse cenário, Belém ganha cada vez mais espaço no circuito das produções que percorrem o país, tendo o Theatro da Paz como um de seus principais palcos.

Nesta sexta-feira (18), a capital paraense recebe “Vital – O Musical dos Paralamas”, espetáculo da produtora Turbilhão de Ideias que celebra os 40 anos de trajetória dos Paralamas do Sucesso. A montagem terá apresentações até domingo (20), depois de cumprir temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo e passar por outras 12 cidades brasileiras.

A produção integra uma tendência que vem conquistando o público: os musicais biográficos dedicados a artistas brasileiros. A Turbilhão de Ideias também foi responsável por espetáculos como “Cássia Eller – O Musical” e “Djavan – O Musical: Vidas pra Contar”. Ao longo de sua trajetória, a produtora já percorreu mais de 50 cidades, esteve nos 27 estados brasileiros e alcançou um público superior a 3,5 milhões de espectadores.

Para Gustavo Nunes, fundador e CEO da empresa, o crescimento do gênero está relacionado à forte conexão afetiva dos brasileiros com os artistas retratados.

“Quando levamos ao palco a história de Djavan ou de Cássia Eller, não estamos apenas contando a trajetória de um artista. Estamos ativando a memória afetiva de milhões de pessoas. É uma experiência que transcende o entretenimento: é identidade, é pertencimento”, afirma.

Theatro da Paz amplia projeção internacional

A presença de grandes produções nacionais em Belém ganha uma dimensão ainda mais simbólica após o reconhecimento internacional do Theatro da Paz como Patrimônio Mundial pela Unesco. Em julho deste ano, o Comitê do Patrimônio Mundial inscreveu o Theatro da Paz e o Teatro Amazonas na Lista do Patrimônio Mundial, sob a denominação “Teatros da Amazônia”.

Inaugurado em 1878, o Theatro da Paz permanece em funcionamento como um dos mais importantes espaços brasileiros dedicados às artes cênicas e à música. O reconhecimento amplia a projeção de um palco que ocupa lugar central na vida cultural de Belém e fortalece a capital paraense como destino de grandes produções artísticas.

A chegada de “Vital” acompanha esse movimento de descentralização do teatro musical brasileiro. Desde sua criação, a Turbilhão de Ideias investe na circulação de seus espetáculos para além do eixo Rio-São Paulo. A estratégia foi consolidada com a turnê de “Cássia Eller – O Musical” e ampliada posteriormente com as produções sobre Djavan e os Paralamas do Sucesso.

Segundo Gustavo Nunes, levar espetáculos de grande porte a diferentes regiões do país também representa um compromisso com a democratização do acesso à cultura.

“Quando fundei a empresa, uma das minhas convicções mais firmes era de que a cultura não pode ser privilégio de quem mora nas grandes capitais do Sudeste. Levar um grande musical a Manaus, a Belém, a Maceió ou a Porto Alegre não é apenas uma estratégia de negócio, é um compromisso com a democratização da arte”, declara.

Amizade, música e memória no palco

Com direção artística de Pedro Brício, texto de Patrícia Andrade e direção musical e arranjos de Daniel Rocha, “Vital – O Musical dos Paralamas” acompanha a trajetória de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone a partir da amizade que sustenta a história da banda há quatro décadas.

O repertório reúne mais de 30 músicas, incluindo sucessos como “Vital e sua Moto”, “Alagados” e “Lanterna dos Afogados”. A narrativa também destaca a relação do trio com o empresário José Fortes, considerado uma espécie de “quarto Paralama”.

Mais do que reconstituir a trajetória de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro, o espetáculo mostra as relações humanas que ajudaram a construir essa história. Para a autora Patrícia Andrade, a amizade e a memória estão no centro da montagem.

“Esta é uma história sobre amizade, sobre a longevidade de uma banda que começa quando os integrantes eram adolescentes e está aí até hoje. E também sobre memória, seja ela afetiva ou seletiva, que toca a cada um de diferentes formas. É um espetáculo essencialmente emocional”, explica.

O diretor Pedro Brício ressalta que a narrativa acompanha as mudanças pessoais e profissionais vividas pelos integrantes ao longo dos anos.

“A gente acompanha essa jornada musical e afetiva de quatro amigos e as transformações não só artísticas, mas também na vida de cada um e como isso influencia na criação deles”, afirma.

No elenco, Rodrigo Salva interpreta Herbert Vianna, Franco Kuster vive João Barone e Arthur Berges assume o papel de Bi Ribeiro. Nando Motta é alternante no papel de Herbert, enquanto Hamilton Dias interpreta José Fortes. Os artistas foram selecionados em audições que reuniram mais de 600 candidatos de diferentes regiões do país.

Vencedor do Prêmio APTR na categoria Melhor Produção em Teatro Musical, “Vital” chega a Belém como parte de sua circulação nacional. A temporada reforça a presença da capital paraense no roteiro dos grandes musicais brasileiros e celebra, em um palco histórico da Amazônia, uma trajetória feita de canções, amizade e memória.

Serviço
Local: Theatro da Paz, em Belém
18 de setembro, sexta-feira, às 20h
19 de setembro, sábado, às 16h e às 20h
20 de setembro, domingo, às 18h

Duração: 1h50
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: de R$ 25 a R$ 180, disponíveis na plataforma Ticket Fácil e na bilheteria do Theatro da Paz.

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