
Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação
Plataforma criada em 2026 organiza informações sobre músicos dos sete estados da Região Norte, estimula novas conexões e contribui para preservar a memória musical amazônica
A diversidade musical da Região Norte ganhou um novo espaço de pesquisa, divulgação e preservação. Criada em janeiro de 2026, a plataforma Dissnorteados já reúne mais de 650 artistas do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A iniciativa funciona como um banco de dados público voltado ao mapeamento e à organização de informações sobre quem produz música na região.
Idealizado pelo produtor musical, produtor cultural e estrategista digital paraense Luiz Horizonte, o projeto nasceu da dificuldade de encontrar informações reunidas e confiáveis sobre artistas nortistas. Trajetórias, lançamentos, entrevistas e registros de apresentações costumam ficar dispersos em redes sociais, plataformas de streaming, portfólios particulares e publicações que desaparecem com o passar do tempo.
A Dissnorteados reúne em um mesmo ambiente artistas consagrados e nomes da cena independente e underground. A proposta é ampliar a visibilidade desses trabalhos e aproximar produções desenvolvidas em estados que, apesar de compartilharem contextos culturais e territoriais, muitas vezes permanecem distantes entre si.
“Não é segredo que muitos artistas nortistas convivem com a invisibilidade musical. Há cerca de dez anos, quando comecei a atuar como produtor musical, percebi que cada cidade vive dentro da sua própria bolha cultural”, afirma Luiz Horizonte.
Segundo o idealizador, a dificuldade de encontrar músicos com afinidades semelhantes fazia com que referências fossem buscadas principalmente em centros como São Paulo. Com o tempo, ele percebeu que essa potência também estava presente na própria Região Norte, mas precisava ser investigada, organizada e divulgada.
“Em dezembro de 2025, comecei a desenvolver a Dissnorteados com o propósito de conectar esses artistas, divulgar seus trabalhos e atuar fortemente na curadoria das informações, tornando-as mais acessíveis e confiáveis”, explica.
Pesquisa, memória e circulação artística
O acervo pode ser consultado por artistas, jornalistas, pesquisadores, produtores culturais, festivais, curadores, marcas, gestores públicos e pelo público interessado na produção musical amazônica. As informações auxiliam na elaboração de reportagens, pesquisas acadêmicas, programações culturais e projetos de circulação artística.
Na edição de 2026 do Festival Casarão, realizada em quatro estados brasileiros, três deles situados na Região Norte, informações reunidas pela Dissnorteados sobre artistas da programação foram utilizadas como fonte para os textos de divulgação do evento.
O projeto também começa a produzir resultados para além da documentação. Artistas relatam que conheceram outros músicos por meio da plataforma e estabeleceram parcerias de maneira espontânea, sem a intermediação direta da equipe responsável pelo mapeamento.
Um desses casos envolve J07TA, cantor e produtor musical de Marabá, no Pará. Por meio de uma pesquisa na plataforma, ele conheceu Helrydobeat, artista de Abaetetuba. A aproximação deu origem a novos projetos e a uma colaboração lançada em julho no álbum Rock Doido para Fone de Ouvido 2.
“Desde o primeiro dia em que fui mapeado no site, isso impactou positivamente a construção do meu portfólio. Muitos artistas independentes possuem dificuldade para se posicionar, e o projeto cumpre essa função. Hoje, até nas buscas do Google eu estou, sendo a Dissnorteados a fonte da pesquisa”, relata J07TA.
Como participar do mapeamento
A inclusão de artistas pode ocorrer por meio da pesquisa realizada pela própria equipe da Dissnorteados. O trabalho identifica músicos nas plataformas digitais, estejam eles atualmente em atividade ou não. O levantamento também recebe indicações dos artistas já acompanhados pelo projeto.
Outra possibilidade é a solicitação direta. O próprio artista ou sua equipe pode preencher o formulário disponível no site da plataforma. Após a coleta, as informações passam por uma revisão. Quando os dados são confirmados pelo artista ou por sua equipe, o perfil recebe um selo de verificação, aumentando a confiabilidade do conteúdo publicado.
Projeto estuda criação de selo e festival
Mesmo ainda em seus primeiros meses de atividade, a Dissnorteados já projeta novos caminhos. Entre eles está a possibilidade de transformar a iniciativa também em um selo musical, abrindo espaço para lançamentos e para uma circulação mais ampla das produções nortistas.
Em agosto de 2026, representantes do projeto participaram de uma reunião com uma distribuidora musical de atuação nacional, que manifestou interesse pela proposta. O encontro iniciou as conversas sobre a estruturação dessa nova frente de trabalho.
A realização de um festival próprio também está no horizonte. A ideia vem sendo estimulada pelos artistas integrantes da plataforma, embora a equipe reconheça que sua concretização dependerá de planejamento, ampliação da estrutura e amadurecimento do projeto.
Com uma equipe formada por profissionais de diferentes estados, a Dissnorteados começa a desenhar uma cartografia musical da Amazônia. Um mapa que não se limita a indicar onde os artistas estão, mas ajuda a aproximá-los, preservar suas trajetórias e mostrar que a música produzida no Norte possui muitas vozes, ritmos e caminhos.
Serviço
Dissnorteados | Radar de Artistas da Região Norte
Estados contemplados: AC, AM, AP, PA, RO, RR e TO
Site: www.dissnorteados.com.br
Instagram: @dissnorteados
E-mail: dissnorteados@gmail.com
Idealização: Luiz Horizonte, do Pará.
