
Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação
Com nove faixas, artista paraense mistura rap, funk, trap, afrobeat e sonoridades amazônicas em um trabalho sobre liberdade, identidade, amor e conquista
O cantor, compositor e ativista cultural paraense Jr. Diaz apresenta “ASCENSÃO”, seu primeiro álbum de estúdio. Com nove faixas, o trabalho percorre diferentes vertentes da música negra e urbana, aproximando rap, R&B, funk, trap e afrobeat de referências eletrônicas e elementos da cultura musical do Pará. O resultado é um disco que transforma experiências pessoais, identidade amazônica, afetividade e resistência em uma narrativa sobre crescimento e liberdade.
A faixa “PREFÁCIO” abre o álbum com um olhar político sobre a violência, o racismo e as desigualdades sociais. Jr. Diaz parte da realidade vivida nas periferias, mas não permanece preso à dor. Ao longo do disco, o discurso da sobrevivência dá lugar à afirmação, à celebração e à consciência do próprio valor. Em “CHAMA O MEU NOME” e “FICA LIGEIRO”, o artista canta sobre independência, fé, conquistas e o desejo de construir uma vida melhor para si e para sua família.
A espiritualidade também atravessa o trabalho como parte da formação pessoal do cantor. Presente desde a infância, quando começou a cantar na igreja aos sete anos, a fé aparece ligada à influência materna, à disciplina e à convicção de que é possível alcançar novos espaços sem apagar as próprias origens.
A identidade amazônica ganha destaque em “É SAL”, faixa na qual Jr. Diaz se apresenta como “preto da Amazônia” e convida o público para um passeio pela cidade, pela aparelhagem e pela noite paraense. A música combina referências ouvidas pelo artista desde criança com uma produção urbana e contemporânea, colocando em diálogo a tradição tecnológica das aparelhagens, o afrobeat, o rap e a música eletrônica.
Depois da afirmação política e identitária, “ASCENSÃO” mergulha nos territórios do desejo e do afeto. Em “À NOITE”, o cantor aborda a intensidade dos encontros passageiros e a vontade de transformar uma experiência fugaz em algo maior. Já “TENTAÇÃO”, com participação de Bruna BG, assume uma atmosfera mais sensual e provocadora, tratando o desejo de um homem gay com naturalidade, liberdade e força pop.
Em “VER-O-MAR”, o amor aparece como possibilidade de permanência. A faixa apresenta a imagem de duas pessoas pretas vivendo plenamente um vínculo afetivo, sem que precisem transformar a própria existência em explicação ou manifesto. O desejo de amar e ser escolhido por inteiro ocupa o centro da canção.
Relacionamentos clandestinos e afetos mantidos em segredo inspiram “1:00 DA MANHÔ. Construída sobre uma produção de drill experimental, a música combina sensualidade, ironia e situações reconhecíveis para falar das contradições de quem demonstra afeto, mas se recusa a assumir publicamente uma relação.
O álbum termina com “PRETO CHIQUE PARTE 2”, uma faixa marcada pela segurança, pela extravagância e pela construção de uma imagem de poder. Entre referências a dinheiro, festas, carros, televisão e reconhecimento, Jr. Diaz encerra o disco olhando para o futuro. Não como alguém que acredita ter alcançado todos os seus objetivos, mas como um artista consciente de que sua caminhada está ganhando novos horizontes.
Nascido e criado em São José do Gurupi, no município de Viseu, nordeste paraense, Jr. Diaz começou a divulgar seu trabalho autoral em 2021. Desde então, vem construindo uma trajetória dedicada a ocupar e ressignificar espaços dentro do rap, abordando em suas letras a representatividade negra e LGBTQIAP+, a afetividade, a identidade, as conquistas e a invisibilidade enfrentada por artistas da Região Norte.
Sua atuação também alcança a formação cultural e o fortalecimento de novos talentos. Jr. Diaz é fundador do PerifaFest, coletivo dedicado à promoção da cultura periférica, e desenvolve ações e oficinas com adolescentes e jovens de sua comunidade. Para o artista, a música não se limita ao palco: ela também pode abrir caminhos e democratizar o acesso à cultura.
Ao longo da carreira, Jr. Diaz participou do Afropunk Experience ao lado de Bruna BG, apresentou-se no Festival de Música Paraense e foi apontado como uma das apostas do Festival Psica, por meio do selo Motins, em 2022. Também recebeu o Prêmio Zeca Sagica de Cultura, em 2024, na categoria Melhor Letra e Música, e foi finalista do Prêmio Profissionais da Música, na categoria Artista de Hip-Hop Masculino do Norte e Nordeste.
“ASCENSÃO” reúne todas essas experiências em um projeto que fala tanto sobre chegar quanto sobre reconhecer a própria força durante o caminho. Entre a denúncia e a festa, o amor e o sigilo, a periferia e o futuro, Jr. Diaz apresenta um disco profundamente ligado ao seu tempo, mas criado com a ambição de atravessá-lo.
Serviço
Álbum: “ASCENSÃO”
Artista: Jr. Diaz
Formato: primeiro álbum de estúdio
Número de faixas: nove
Participação especial: Bruna BG, na faixa “TENTAÇÃO”
Sonoridades: rap, R&B, trap, funk, afrobeat, música eletrônica e referências da musicalidade paraense
Mais informações: nas redes sociais oficiais de Jr. Diaz

Júnior Diaz faz parte da nossa cultura viseuense e mostra com amor e dedicação sua maestria musical. Com essa idéia ele abre caminhos a cantores de estilo também reep.
Júnior Dias é, sem dúvida, um dos nomes mais autênticos e inspiradores da Cultura de Viseu, no Pará. Como cantor de rap, ele não apenas canta ,ele vive cada verso, pois as letras que apresenta nascem de suas próprias vivências, refletindo de forma sincera a realidade, os sentimentos e a identidade do nosso povo. É essa verdade que torna sua arte tão envolvente e tocante: parabéns a esse Artista maravilhoso.