
Por Regina Lima/ Imagem:Reicartdo Avellar
Referência da dança negra contemporânea, companhia apresenta espetáculo inspirado em Oxóssi e promove exibição do documentário “Danças Negras”
Referência da dança negra contemporânea brasileira, a Cia Treme Terra retorna ao Pará para celebrar duas décadas de trajetória. A programação começa no dia 17 de agosto, às 19h, com a exibição do documentário Danças Negras, no Cine Líbero Luxardo. No dia seguinte, 18 de agosto, às 20h, a companhia apresenta Florestas de Odé, no Teatro Margarida Schivasappa. A montagem faz sua estreia na região Norte e inicia, em Belém, a primeira circulação fora do estado de São Paulo.
Inspirado nas tradições da cultura iorubá difundidas no Brasil, o espetáculo parte das múltiplas facetas de Oxóssi, orixá associado às florestas, à caça e à fartura. A criação aproxima narrativas ancestrais de questões contemporâneas, como o desmatamento, a violência contra comunidades que dependem da floresta, as marcas ainda presentes da colonização e a exploração do trabalho.
Criada em São Paulo, a obra também constrói a figura do “Oxóssi da cidade”, que atravessa a floresta de pedra em busca de caminhos, sustento e sobrevivência. O arquétipo ancestral ganha contornos urbanos e se aproxima do cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras submetidos à desigualdade e à precarização. Ao chegar à Amazônia, o espetáculo estabelece um novo diálogo com públicos que mantêm relações próprias e diretas com a floresta, os territórios e as culturas negras, indígenas e tradicionais.
O retorno ao Pará tem significado especial para a companhia. Em 2017, durante a circulação do espetáculo Terreiro Urbano, o grupo viveu no estado um de seus primeiros encontros com a região Norte. Segundo o diretor João Nascimento, essa experiência deixou marcas importantes na pesquisa artística da Cia Treme Terra.
“Quando chegamos ao Pará pela primeira vez, em 2017, encontramos um território onde urbanidade, floresta, ancestralidade e vida cotidiana se entrelaçam. A força dos tambores, o movimento dos corpos e a diversidade de saberes, modos de vida e expressões culturais passaram a integrar o percurso de pesquisa da companhia”, afirma.
Para o diretor, a passagem pela Amazônia permite que a montagem seja transformada pelo encontro com cada território. “A dança participa desse movimento como linguagem viva, sensível ao espaço, ao público e à atmosfera de cada lugar. Retornar ao Norte com Florestas de Odé representa essa possibilidade de troca, colocando a poética do espetáculo em diálogo com os saberes, as memórias e as percepções locais”, explica.
Depois de Belém, a companhia segue para Parauapebas. No dia 20 de agosto, será realizada uma oficina de Dança Negra Contemporânea, além da exibição do documentário Danças Negras. Nos dias 21 e 22, às 19h, o Centro Cultural de Parauapebas recebe duas apresentações de Florestas de Odé.
Documentário reúne referências da arte e do pensamento negro
A programação também inclui o documentário Danças Negras, que reúne depoimentos de importantes nomes das artes, da cultura popular e da produção intelectual brasileira, entre eles Kabengele Munanga, Makota Valdina, Raquel Trindade, Lia Robatto, Helena Katz, Clyde Morgan, Edileusa Santos e Carlos Moore.
O filme amplia o debate sobre a presença e as contribuições da arte negra na contemporaneidade. Sua exibição reforça a proposta da circulação, que articula criação artística, formação e reflexão sobre memória, ancestralidade e identidade.
Com apresentações realizadas no Brasil e em países como Alemanha, Bulgária e Bolívia, a Cia Treme Terra desenvolve, há 20 anos, um trabalho que une criação, formação e investigação artística. A trajetória do grupo já recebeu reconhecimentos como o Prêmio Klauss Vianna, o Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo e o Prêmio Denilto Gomes.
A circulação faz parte do projeto Florestas de Odé – Circulação Nacional em celebração aos 20 anos da Cia Treme Terra, selecionado pela Chamada Instituto Cultural Vale 2025. A iniciativa é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, com patrocínio do Instituto Cultural Vale.
As atividades contarão com recursos de acessibilidade. As apresentações e rodas de conversa terão interpretação em Libras. O documentário será exibido com Libras, audiodescrição e legendas descritivas.
Serviço
Documentário “Danças Negras”
Data: 17 de agosto
Horário: 19h
Local: Cine Líbero Luxardo
Espetáculo “Florestas de Odé”
Data: 18 de agosto
Horário: 20h
Local: Teatro Margarida Schivasappa

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