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Por Regina Lima/ Imagem: Tayanara Garcia

Dirigida pela artista paraense Taynara Garcia, a montagem resgata a trajetória da rainha africana Agotimé e destaca a resistência, a memória e o protagonismo das mulheres negras. O elenco reúne dançarinas, atrizes, instrumentistas e integrantes das tradições do Tambor de Crioula e do Tambor de Mina.

🎟️ Os ingressos custam R$ 20, com meia-entrada a R$ 10. O espetáculo terá tradução em Libras e espaço reservado para pessoas com deficiência. Informações e ingressos pelo telefone (91) 8918-0902. Venha celebrar uma história que o tempo tentou silenciar, mas os tambores continuam contando.

Agora, a nova montagem chega aos palcos com um elenco formado majoritariamente por mulheres negras. Para Taynara, essa composição permite contar a história a partir das próprias experiências e identidades das artistas envolvidas.

“Não estamos representando uma mulher negra a partir de uma coisa que estou imaginando. Eu sou uma mulher negra, de bairro periférico, que reside numa Região Norte, invisibilizada artisticamente, e esse peso traz ainda mais sentido para a cena”, afirma a diretora.

Mulheres negras constroem coletivamente o espetáculo

Além de atuarem no palco, as participantes colaboram em diferentes etapas da produção, incluindo cenografia e figurino. O grupo reúne dançarinas, modelos, atrizes, musicistas e fazedoras de cultura vinculadas às tradições do Tambor de Crioula e do Tambor de Mina.

“As mulheres pretas se juntaram em um coletivo. Nós estamos trabalhando juntas em vários setores, como na cenografia e no figurino. Cada uma ajudando como pode, com sua expertise e seus recursos”, explica Taynara.

Segundo a diretora, essa articulação coletiva também ajuda a enfrentar as dificuldades provocadas pelo preconceito e pelos tabus ainda associados às religiões de matriz africana. Ao colocar mulheres negras no centro da narrativa, o espetáculo procura afastar representações baseadas na submissão ou na sexualização desses corpos.

“Estamos falando de corpos femininos e negros sem o viés da sexualidade, muito pelo contrário. É um corpo político que fala por si dentro de uma estrutura que ainda é muito machista”, ressalta.

A montagem propõe ampliar a presença das narrativas negras nos palcos amazônicos e integrar um movimento de valorização da produção artística afro-amazônica. Ao recuperar uma personagem historicamente invisibilizada, o espetáculo convida o público a refletir sobre memória, pertencimento, resistência e ancestralidade.

A apresentação conta com a participação da Mestra Pretta Nzinga Jamile, de Maiara Almeida e do Grupo de Tambor de Crioula Filhos e Amigos de Cururupu. O encontro aproxima diferentes expressões da cultura afro-brasileira e estabelece um diálogo entre tradição, memória e performance contemporânea.

“A Saga de Agotimé” foi contemplado pelo Edital nº 002/2025 de Fomento à Criação de Projetos Culturais do Governo do Estado do Pará, por meio da Política Nacional Aldir Blanc. As apresentações terão tradução em Libras e espaço reservado para pessoas com deficiência. Também haverá meia-entrada para pessoas com deficiência, pessoas trans e mães solo.

Serviço

Espetáculo: A Saga de Agotimé
Datas: 6 e 7 de agosto
Horário: 19h
Local: Teatro Estação Gasômetro
Ingressos: R$ 20,00, inteira, e R$ 10,00, meia-entrada
Meia-entrada: pessoas com deficiência, pessoas trans e mães solo
Acessibilidade: tradução em Libras e espaço reservado para pessoas com deficiência
Informações e ingressos: Taynara Garcia
Telefone: (91) 8918-0902
E-mail: artesnegrasemmovimento@gmail.com

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