Pular para o conteúdo principal

Portal Jambu

Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará, o ofício será apresentado ao público por meio de oficinas, visita ao acervo e exposição de peças produzidas pelos artistas

O público poderá conhecer de perto a arte dos abridores de letras durante uma programação gratuita promovida pelo Instituto Letras que Flutuam, no dia 2 de agosto, em Belém. O encontro será realizado das 9h às 13h, no bairro do Reduto, com oficinas, visita ao acervo da instituição e comercialização de peças produzidas por mestres da tradição gráfica amazônica. As atividades têm vagas limitadas e as inscrições estão abertas pelo Instagram do instituto.

Com cerca de um século de história, o ofício surgiu quando a identificação das embarcações se tornou obrigatória na região. Ao longo do tempo, os artistas desenvolveram uma linguagem visual própria, caracterizada por letras ornamentadas, cores vibrantes e traços criados, em grande parte, por mestres autodidatas. Em 2026, esse saber recebeu o reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará.

Durante as oficinas, os participantes aprenderão diretamente com os mestres algumas das técnicas e dos ornamentos utilizados na identificação das embarcações amazônicas. A iniciativa busca aproximar o público de uma tradição que reúne memória, identidade e modos de vida ribeirinhos, além de contribuir para a transmissão desse conhecimento entre gerações.

“A letra ribeirinha é tão estruturante para a Amazônia quanto a música, a dança ou a comida. Ela expressa território, memória e identidade. Quando os estudantes aprendem esse alfabeto, eles aprendem também a olhar para a Amazônia a partir de seus próprios códigos visuais”, afirma Fernanda Martins, pesquisadora e diretora do Instituto Letras que Flutuam.

Patrimônio vivo e geração de renda

Além das atividades formativas, o público poderá conhecer e adquirir placas pintadas à mão, letras em miriti, livros, camisetas, ecobags e outros produtos desenvolvidos em parceria com os abridores de letras. Inspiradas nas cores e tipografias das embarcações, as peças levam a tradição ribeirinha a objetos contemporâneos e ajudam a gerar renda para os artistas.

Resultado de mais de duas décadas de pesquisa, o Instituto Letras que Flutuam é o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente à cultura dos abridores de letras. Desde 2004, a iniciativa já identificou mais de 130 mestres em municípios paraenses e realiza ações de documentação, formação, proteção jurídica, geração de renda e valorização desse patrimônio.

Para Fernanda Martins, o reconhecimento oficial representa uma conquista importante, mas a preservação do ofício depende da criação de oportunidades para que os mestres transmitam seus conhecimentos. “Esse saber centenário só continua vivo quando é compartilhado”, destaca.

Serviço

Programação do Instituto Letras que Flutuam
Data: 2 de agosto de 2026, domingo
Horário: das 9h às 13h
Local: Canto do Letras, Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Reduto, Belém
Inscrições: Instagram do Instituto Letras que Flutuam

Programação:

9h: abertura do espaço, visita ao acervo e venda de produtos;
10h: primeira oficina de abertura de letras;
11h30: segunda oficina de abertura de letras;
13h: encerramento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Portal Jambu