
Por Regina Lima/ Imagem: Ayumi k. Ranzini
Espetáculo chega à CAIXA Cultural Belém de 30 de julho a 2 de agosto, com releituras de Gal Costa, Rita Lee, Maria Bethânia, Marina Lima e Alcione, além de canções autorais
Duas vozes marcantes da nova geração da música brasileira se encontram pela primeira vez nos palcos paraenses. Assucena e Catto chegam a Belém com o espetáculo “Assucena e Catto”, que terá temporada de 30 de julho a 2 de agosto, na CAIXA Cultural Belém.
O show propõe uma viagem pela memória afetiva da música brasileira, com releituras de canções eternizadas nas vozes de Gal Costa, Rita Lee, Maria Bethânia, Marina Lima e Alcione. O repertório também abre espaço para composições autorais das duas artistas.
Serão cinco apresentações durante a passagem por Belém. A programação inclui ainda bate-papo com o público, atividade formativa gratuita e uma sessão com tradução em Libras.
Um encontro entre vozes e gerações
O espetáculo nasceu do encontro artístico entre Assucena e Catto, duas artistas trans que construíram trajetórias próprias e se tornaram referências na cena musical brasileira contemporânea.
Ao revisitar o repertório de algumas das grandes intérpretes da MPB, o projeto também coloca em cena questões relacionadas à identidade, à representatividade e ao protagonismo de mulheres, pessoas trans e da comunidade LGBTQIAP+.
Para Assucena, a afinidade entre as duas passa pela maneira como compreendem a interpretação como parte fundamental da música popular brasileira.
“Nós somos cantautoras, compositoras e intérpretes. Esse lugar da intérprete sempre foi muito importante. Eu admiro a voz da Catto, o canto dela, a maneira como escolhe seus registros. Aprendo realmente muito com ela”, afirma.
Catto destaca que o espetáculo foi construído para estabelecer uma relação de proximidade e emoção com a plateia.
“São canções que celebram esse encontro. Músicas do nosso inconsciente coletivo, das nossas divas. Espero que o público leve para casa muita emoção, que ria, se emocione e leve um pouquinho da gente consigo”, diz.
Música, identidade e expressão
A passagem por Belém vai além dos shows. Após a apresentação de sexta-feira, 31 de julho, Assucena e Catto participam de um bate-papo com o público.
No domingo, 2 de agosto, às 16h, será realizada a atividade gratuita “Vozes em Trânsito – Música, Identidade e Expressão”. A roda de conversa propõe um espaço de troca sobre processos criativos, música, identidade, representatividade e os desafios enfrentados por artistas trans na cena cultural contemporânea.
A participação é gratuita, mediante inscrição no site da CAIXA Cultural.
A temporada paraense integra a circulação nacional do espetáculo. Em março, o projeto passou por Fortaleza, onde realizou sessões esgotadas. Depois de Belém, segue para Salvador, em dezembro. Em 2027, a turnê deverá chegar a Brasília, Curitiba e Recife.
Um reencontro afetivo com Belém
A chegada à capital paraense também carrega uma dimensão afetiva para as duas artistas.
Assucena retorna à cidade depois de experiências que considera marcantes, entre elas uma passagem durante o Círio de Nazaré. Para a cantora, a cultura paraense está entre suas grandes referências.
“Belém é uma cidade muito brasileira e com uma identidade extremamente marcante. Amo a cultura de Belém, amo a música, amo a culinária. Estou voltando para uma terceira vez de redescobertas”, afirma.
Catto também fala da relação com o Pará e destaca uma característica que talvez o público paraense reconheça imediatamente: a capacidade de fazer tradição e invenção caminharem juntas.
“Eu adoro Belém, adoro tudo relacionado ao Pará. Acho que o Pará tem uma força, uma beleza e uma manifestação cultural muito singular. É um povo que traz sua ancestralidade de forma inventiva, futurista. Isso não existe em lugar nenhum do mundo”, afirma.
A artista cita ainda nomes da música paraense que admira e com quem mantém proximidade, entre eles Fafá de Belém, Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro, Arthur Nogueira, Sammliz e Jaloo.
Trajetórias que se encontram
Assucena ganhou projeção nacional como idealizadora e integrante da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, trabalho que conquistou dois Prêmios da Música Brasileira e recebeu duas indicações ao Grammy Latino.
Em carreira solo desde 2021, lançou em 2023 o álbum Lusco-Fusco, aprofundando sua identidade autoral e seu diálogo artístico com a obra de Gal Costa.
Catto é cantora, compositora e produtora gaúcha e soma mais de 15 anos de carreira. Reconhecida pela potência vocal e pela presença de palco, tem entre seus trabalhos os álbuns Fôlego, Catto, Belezas São Coisas Acesas por Dentro (2023) e Caminhos Selvagens (2025). Sua trajetória inclui apresentações e turnês pelo Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos.
Em Belém, essas duas trajetórias se cruzam em torno de um patrimônio afetivo compartilhado por gerações: as canções e as vozes de mulheres que ajudaram a transformar a música brasileira.
Serviço
Assucena e Catto – homenagem às intérpretes femininas da MPB
Quando: 30 de julho a 2 de agosto de 2026
Onde: CAIXA Cultural Belém, Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Porto Futuro II
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada para os públicos previstos em lei e clientes CAIXA)
Vendas: site e bilheteria da CAIXA Cultural
Classificação: 12 anos
Programação
30 de julho, quinta-feira: 19h
31 de julho, sexta-feira: 19h, com bate-papo após o espetáculo
1º de agosto, sábado: 16h, com tradução em Libras, e 19h
2 de agosto, domingo: 16h, atividade gratuita “Vozes em Trânsito – Música, Identidade e Expressão”; 19h, apresentação do espetáculo
