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Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação

Pela primeira vez na Amazônia brasileira, um dos maiores nomes do teatro de bonecos para jovens e adultos apresenta um espetáculo que emociona plateias ao redor do mundo. Entre os dias 23 e 26 de julho, a CAIXA Cultural Belém recebe “Velhos” (Viejos), criação do argentino Sergio Mercurio, artista que há mais de três décadas transforma bonecos em protagonistas de histórias profundamente humanas.

Ao lado da atriz Rosi Jacomelli, Mercurio conduz uma montagem que aborda temas como memória, afeto, companheirismo e a passagem do tempo. Após todas as apresentações, o público poderá participar de um bate-papo com os artistas, ampliando o diálogo proposto pela obra.

Reconhecido internacionalmente por romper a ideia de que o teatro de bonecos é uma linguagem voltada apenas às crianças, Sergio Mercurio construiu uma carreira marcada por apresentações em mais de 20 países. Suas criações nasceram das viagens pela América Latina, mas, segundo o artista, sua maior jornada passou a acontecer dentro das pessoas.

“Antes de sair de viagem eu queria conhecer os outros. Hoje eu falo dos outros que conheci e aprendi a amar. Primeiro eu me interessava muito pelo espaço. Depois comecei a me interessar pelo tempo”, afirma.

Uma delicada reflexão sobre envelhecer

“Velhos” é o primeiro espetáculo da trilogia Velhos e Seus Netos, projeto criado por Mercurio para investigar as relações entre diferentes gerações por meio do teatro de bonecos.

A montagem reúne oito personagens construídos com variadas técnicas de manipulação, desde bonecos gigantes até figuras movimentadas apenas pelos pés dos atores. Em cena, não há heróis nem personagens idealizados. Os protagonistas são pessoas comuns, carregadas de lembranças, fragilidades, humor e afeto, capazes de despertar no público o reconhecimento de histórias presentes em qualquer família.

A inspiração para o espetáculo nasceu da convivência do artista com seus avós durante a infância.

“Eu fui olhado por seis velhos. Hoje entendo que uma criança precisa de uma coisa além de comida e abrigo: ela precisa ser olhada. ‘Velhos’ é a troca que eu dou para eles.”

Temas como Alzheimer, Parkinson, solidão e companheirismo aparecem de forma sensível, sem recorrer ao discurso moralizante. Para Mercurio, é justamente o humor que permite aproximar o público dessas experiências.

“A lição de moral é séria e entediante. O humor transforma o mundo.”

Bonecos para falar sobre quem somos

Embora o teatro de bonecos ainda seja frequentemente associado ao universo infantil, Mercurio escolheu essa linguagem para dialogar diretamente com jovens e adultos. Para ele, são justamente os bonecos que conseguem revelar com mais sinceridade a condição humana.

“A gente acredita muito mais naquilo que não está vivo. Os vivos mentem, enganam, confundem. Aquilo que não tem vida não trai. Os bonecos conseguem ficar muito mais próximos de nós.”

Ao longo da circulação internacional do espetáculo, uma reação costuma se repetir ao fim de cada sessão.

“Sempre aparece alguém para falar do pai, do avô, ou para dizer que agora sabe como quer viver o próprio futuro.”

A temporada em Belém também representa um momento especial para o artista, que fará seu primeiro encontro com o público amazônida.

“Espero isso com muita alegria. Tomara que esse seja apenas o primeiro encontro. Já me apresentei na Amazônia boliviana muitos anos atrás e foi maravilhoso. Espero voltar a emocionar as pessoas aqui.”

Serviço

Espetáculo: Velhos (Viejos)

Datas: 23, 24, 25 e 26 de julho de 2026

Horário: 19h

Local: CAIXA Cultural Belém
Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Reduto (Porto Futuro II)

Ingressos:

R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia-entrada para os públicos previstos em lei e clientes CAIXA)
Gratuidade para pessoas com 60 anos ou mais

Vendas: bilheteria da CAIXA Cultural Belém e pelo site da CAIXA Cultural.

Classificação indicativa: 12 anos

Produção: Banalíssima Arte.

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